Polí­tica

Foto: SSP-GO Na versão inicial dada ao delegado ainda no aeroporto, Lucas disse que o dinheiro teria vindo de uma fazenda do Pará Na versão inicial dada ao delegado ainda no aeroporto, Lucas disse que o dinheiro teria vindo de uma fazenda do Pará

O estudante de engenharia civil do ITPAC de Porto Nacional, Lucas Marinho Araujo, ficaria com R$ 900 por ceder sua conta da Caixa Econômica Federal de Piracanjuba (GO) para que Douglas Marcelo Alencar Schimitt, um dos quatro presos na operação da Polícia Civil de quinta-feira, movimentasse R$ 1,5 milhão. Em nota à imprensa, a polícia goiana caracterizou o estudante como “laranja”.

Na versão dada ao delegado Rilmo Braga, ainda no aeroporto, Lucas disse que o dinheiro teria vindo de uma fazenda do Pará. No segundo depoimento, já na delegacia, mudou de versão sobre a provável origem do dinheiro, ao afirmar que teria sindo adquirido "através de um empréstimo de uma factory de Brasília".

Lucas também não soube dizer se o dinheiro tinha qualquer envolvimento com tráfico de drogas ou crimes eleitorais. Ele disse que Douglas não lhe explicou a razão para o depósito ocorrer em Goiás, nem para que e nem de quem eram os R$ 1.505.900,00 encontrados por ele na sua conta na terça-feira.

No tempo que permaneceram na agência bancária de Piracanjuba, cidade onde Lucas morou até 2009, ele transferiu, seguindo orientação de Douglas, R$ 400 mil para a conta da Triple Construtora, outros R$ 288 mil para a conta de “Schineder” e R$ 310 mil para “Laís”, identificada pela polícia como namorada de Douglas. “Os novecentos reais que sobraram do depósito ele (Douglas) deixou para o conduzido (Lucas) a título de amizade”, revelou Lucas.

Ao depor para o delegado Rilmo Braga, Lucas disse que Douglas "atualmente está trabalhando na campanha eleitoral ao governo do Tocantins, Marcelo Miranda". Lucas confessou ter emprestado sua conta para a movimentação a pedido de Douglas, empresário com quem fez amizade após estagiar na empresa Triple Construtora, de Palmas, de propriedade de Douglas. Ele garantiu ao delegado que conheceu o motorista naquela quinta-feira e confirmou que Marco Antonio Jayme Roriz trabalha para o PMDB no Tocantins.

Também revelou ao delegado que estava hospedado no mesmo quarto do Hotel Atenas, em Goiânia, onde Douglas estava hospedado e saiu de lá por volta de 11h30 de quinta-feira após o motorista buscá-los na Hillux apreendida na operação. Depois do saque, seguiram para o aeroporto onde também embarcaria para Palmas quando foram surpreendidos pela Polícia Civil de Goiás.

Na prisão, além de Lucas, foram detidos Douglas, o motorista do PMDB do Tocantins, Marco Antonio Jayme Roriz, e o piloto Roberto Carlos Maya Barbosa. A polícia apreendeu milhares de santinhos do candidato a governador Marcelo Miranda e do candidato a deputado federal Carlos Gaguim.

Em nota à imprensa, a Polícia Goiana afirma que todos são suspeito de crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa (antigo crime de quadrilha ou bando) e de crime contra a ordem tributária.