Polí­tica

Foto: SSP-GO Ao ser preso e interrogado, Douglas pediu para falar com uma única pessoa, identificada como “Cleanto” Ao ser preso e interrogado, Douglas pediu para falar com uma única pessoa, identificada como “Cleanto”

Os policiais civis de Goiás, Evaldo Marques Pereira, Glaiton Silvio Simplício de Campos e o delegado Rilmo Braga Cruz Júnior registraram, nos dois autos de prisão e apreensão de quatro pessoas e de um avião de empresário do Tocantins, que Douglas Marcelo Alencar Schimitt é quem faz os pagamentos da campanha eleitoral do candidato a governador do Estado do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB).

Douglas é uma das quatro pessoas presas na operação da Polícia Civil de Goiás, na quinta-feira, de posse de R$ 504 mil, prestes a embarcar em um avião do empresário tocantinense Ronaldo Japiassu que continha "santinhos” dos candidatos a governador Marcelo Miranda e a deputado federal Carlos Gaguim.

Na versão narrada pelos três policiais, entre os quatro presos, Lucas Marinho Araújo, titular da conta poupança da Caixa Econômica Federal de Piracanjuba onde foi sacado o valor apreendido, e Marco Antonio Jayme Roriz, o motorista da Hillux apreendida na operação, afirmaram que o dinheiro teria vindo de uma fazenda do Estado do Pará.

O piloto Roberto Carlos Maya Barbosa afirmou que não sabia que transportaria dinheiro e, sim, Douglas, que é amigo do seu patrão. Douglas, por sua vez, mudou de versão na delegacia e afirmou aos policiais que o dinheiro seria fruto de um empréstimo feito em Brasília.

Ao ser preso e interrogado, Douglas pediu para falar com uma única pessoa, identificada como “Cleanto”. Cleanto, conforme divulgou a imprensa, é o chefe do serviço aéreo da campanha de Marcelo Miranda e ex-diretor da Aeropalmas, empresa que teve contrato de R$ 12 milhões com o gabinete do Palácio Araguaia em 2006 no governo de Miranda.

Duas versões

Depois de ter assumido junto com os demais presos para os policiais Euvaldo, Glaiton e para o delegado Rilmo Braga que o dinheiro apreendido no avião seria para a campanha de Marcelo Miranda, ao depor para o delegado às 19 horas do dia 18 de setembro, após o telefonema para Cleanto e contato com advogado, mudou a versão dada aos policiais no aeroporto.

Negou ter dito aos agentes e ao delegado comandante da operação que trabalha para a campanha de Marcelo Miranda. E garantiu que ele mesmo pediu o avião emprestado a Ronaldo Japiassú para levá-lo de Piracanjuba a Porto Nacional, onde mora.

Afirmou ainda que o dinheiro era de um empréstimo obtido na factoring "Mais 2", localizada na sala 303 do shopping Gilberto Salomão, de Brasília. Disse que teria pedido a conta de Lucas porque não teria conta na CEF, e o dinheiro seria depositado em 12 cheques da empresa que também tem conta na CEF. A grana, segundo ele, seria para quitar dívidas pessoais e de suas empresas.