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Saúde

Foto: Freepik

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Você sabia que, após os 50 anos, é comum que algumas pessoas comecem a perceber uma perda gradual da visão, especialmente ao tentar ler, reconhecer rostos ou enxergar detalhes? Uma das principais causas desse problema é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), condição que afeta a região central da retina e compromete justamente a visão detalhada e central.

E o cenário preocupa: uma análise internacional publicada pela revista The Lancet Global Health estima que o número de pessoas com perda de visão atribuída à DMRI deve crescer de pouco mais de 8 milhões, em 2021, para mais de 21 milhões até 2050 — quase três vezes mais. O aumento está diretamente ligado ao envelhecimento da população mundial, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce e acesso às terapias disponíveis.

A DMRI compromete a mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes. De acordo com o dr. Paulo de Tarso, oftalmologista especialista em Retina e Vítreo do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH), essa estrutura é fundamental para tarefas como leitura, identificação de rostos e percepção de cores. “A doença provoca dano progressivo nessa área e, por isso, as pessoas começam a notar alterações na nitidez, distorções, manchas centrais e dificuldade para enxergar objetos que estão bem à frente”, afirma. O quadro costuma surgir após os 50 anos e tende a avançar de maneira silenciosa.

O risco aumenta em indivíduos com histórico familiar, mas outros fatores também contribuem para o desenvolvimento da doença. Sedentarismo, dieta pobre em frutas e verduras, obesidade, hipertensão, tabagismo, doenças cardiovasculares e exposição excessiva ao sol estão entre os elementos que ampliam a possibilidade de dano macular. Segundo o especialista, a condição é mais prevalente em pessoas brancas. “É uma enfermidade multifatorial. Idade avançada e genética têm grande peso, mas hábitos de vida influenciam muito”, comenta.

A DMRI pode se apresentar em duas formas. A variante seca é a mais comum e progride lentamente. Ela está relacionada à perda gradual de células da mácula e ao acúmulo de depósitos conhecidos como drusas. Já a forma úmida, embora menos frequente, tem evolução rápida. Ela ocorre quando surgem vasos anormais sob a mácula, que liberam líquido e provocam inchaço. “Essa versão costuma causar queda acentuada da visão em pouco tempo, por isso exige atenção imediata”, destaca o médico.

O diagnóstico começa com uma avaliação oftalmológica completa, incluindo dilatação pupilar e análise detalhada da retina. Havendo suspeita, exames complementares confirmam a alteração. A tomografia de coerência óptica (OCT) é considerada essencial para identificar sinais precoces e acompanhar o comportamento da doença. Em casos selecionados, principalmente na forma úmida, a angiofluoresceinografia pode ajudar na definição do quadro. “Essas tecnologias permitem avaliar camadas da retina com muita precisão, possibilitando intervenções mais adequadas”, explica.

Os tratamentos variam conforme o tipo da doença. Na DMRI seca, o objetivo é desacelerar a progressão. Isso inclui mudanças no estilo de vida, como parar de fumar, controlar pressão e diabetes, proteger os olhos da luz intensa e adotar suplementação antioxidante, quando indicada. “Hoje já contamos com alternativas que buscam retardar ainda mais o avanço, como fotobiomodulação e abordagens com injeções em casos específicos”, afirma o médico.

Na forma úmida, o padrão terapêutico atual é o uso de medicamentos anti-VEGF, aplicados diretamente no olho. Eles atuam bloqueando substâncias que estimulam o crescimento dos vasos anormais e, assim, evitam o extravasamento de líquido. Há diferentes opções disponíveis no país, com características particulares. Segundo o especialista, os avanços nos últimos anos permitiram preservar mais visão e reduzir complicações. “Essas medicações mudaram completamente o prognóstico. Muitos pacientes conseguem manter a leitura e a autonomia por muito mais tempo”, reforça.

Novas frentes de pesquisa ampliam as perspectivas de futuro. A terapia gênica busca estimular o próprio olho a produzir substâncias semelhantes aos anti-VEGF, reduzindo a necessidade de aplicações frequentes. Para a forma seca, investigações com células-tronco e engenharia de tecidos tentam recompor áreas danificadas e recuperar parte da função macular. “São caminhos promissores e mostram o quanto a retina é uma área de evolução acelerada dentro da oftalmologia”, avalia o especialista.

Embora nem sempre seja possível evitar a doença, algumas atitudes ajudam a reduzir riscos. Manter alimentação equilibrada, adotar prática regular de atividade física, usar óculos de sol, evitar cigarro e realizar consultas periódicas são medidas importantes. Mudanças súbitas na visão, distorções repentinas, dificuldade para ler ou notar manchas escuras no campo central devem ser avaliadas rapidamente. “Quanto mais cedo começarmos o tratamento, maior a chance de preservar qualidade de vida”, finaliza o dr. Paulo de Tarso, oftalmologista especialista.