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Foto: Divulgação Policial militar sargento Rodrigues, morre após disparos de arma de fogo em abordagem policial civil Policial militar sargento Rodrigues, morre após disparos de arma de fogo em abordagem policial civil

Faleceu na manhã desta sexta-feira, 27, o policial militar sargento José Maria Rodrigues Amorim, vítima de disparos de arma de fogo em abordagem da Polícia Civil na noite dessa quinta-feira, 26, em Taquaralto, na região sul de Palmas/TO.

Segundo a Polícia Civil, na noite dessa quinta-feira, por volta das 23h35, a equipe da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), após solicitar reforço policial na 5ª Delegacia de Polícia Civil, na região sul da Capital, a fim de diligenciar sobre ocorrência de tentativa de homicídio com uso de arma de fogo na localidade, deparou-se, no trajeto, com um cidadão armado, visivelmente sob a influência de álcool, ao lado de veículo com som automotivo acima do permissivo legal, ao que teria solicitado, ainda no interior da viatura, que o mesmo reduzisse o volume do som do veículo.

Ainda segundo a Polícia Civil, o indivíduo teria reagido fazendo demonstração de sua arma de fogo, momento em que um delegado e dois agentes de polícia, que formavam a equipe, saíram do veículo para sua abordagem, apresentando-se como policiais e solicitando para que a arma fosse colocada ao chão.

De acordo com versão da Polícia Civil, após o homem negar o pedido, o mesmo sacou a arma de fogo e teria apontado para os policiais civis e estes, visando a preservação da integridade física e a própria vida e a dos colegas, efetuaram 4 disparos, feitos por policiais distintos, sendo que três disparos atingiram perna, braço e abdômen, sendo, imediatamente, acionado o Sistema Integrado de Operações Policiais (SIOP) e o Corpo de Bombeiros da Capital.

Segundo a Polícia Civil, após a abordagem e prestação de socorro, restou conhecida a identidade funcional do abordado como policial militar. 

Testemunhas 

Testemunhas que presenciaram o ocorrido foram ouvidas, ainda, durante a madrugada, pela delegada plantonista da Central de Atendimento da Polícia Civil, região Sul, na presença de oficiais da Polícia Militar, que também fizeram perguntas aos declarantes. Todos os participantes da missão estão sendo ouvidos pela Corregedoria-Geral do órgão, após apresentação espontânea de suas armas. A arma do policial militar também foi recolhida, para submissão à exame pericial.

A Polícia Civil lamentou o falecimento do membro da instituição co-irmã e declarou ter instaurado inquérito para investigação do ocorrido, junto à Corregedoria-Geral, com os policiais civis permanecendo à disposição do órgão, até a finalização do procedimento.

Apra Contesta Versão

A Associação dos Praças Militares do Estado do Tocantins (APRA-TO) contestou a abordagem e, através de nota pública, repudiou a atuação da Polícia Civil.

Confira abaixo a nota na íntegra da Apra.

A Associação dos Praças Militares do Estado do Tocantins (APRA-TO) manifesta, através desta nota pública, grande indignação e repúdio diante da atuação arbitrária e despreparada da equipe da Polícia Civil que, na noite da última quinta-feira, atentou contra o policial militar Sargento Rodrigues.

O Sargento da PMTO José Maria Rodrigues Amorim se encontrava em um bar na região de Taquaralto, durante a sua folga, quando foi abordado pelo delegado Cassiano Ribeiro Oyama, acompanhado de mais dois agentes da Polícia Civil, sob queixa de que o militar mantinha som automotivo com volume acima do permitido em veículo de sua propriedade.

Durante a abordagem, foram disparados três tiros contra o policial militar, um partindo do delegado e outros dois dos policiais civis que o acompanhavam. A Polícia Militar só foi acionada após ter sido efetuado o último disparo, quando o policial já se encontrava abatido no chão. Sargento Rodrigues não efetuou um único disparo contra os policiais civis, mas foi brutalmente alvejado pelos agentes sem direito a defesa.

A APRA-TO lembra que o delegado envolvido no atentado contra o Sargento Rodrigues, foi o mesmo que há um ano, de maneira desrespeitosa e desmedida, invadiu o quartel da PM em Paraíso para executar um mandado de prisão contra policiais militares. Na época, o delegado Cassiano Ribeiro Oyama invadiu a segunda casa dos militares sem qualquer comunicação prévia com o Comandante Geral da PMTO, com o comandante do Batalhão ou com os militares pertencentes à unidade.

Ontem, de maneira semelhantemente arbitrária e desumana, o delegado e sua equipe usurparam uma função que não lhes cabia, atentaram contra a vida de um grande profissional da segurança pública, pai de família, e cidadão tocantinense. Cabendo destacar aqui que em ocorrências de transtorno a ordem pública, incluídos os casos provocados por infração sonora, os órgãos competentes a serem acionados seriam a Polícia Militar e/ou a Guarda Metropolitana.

Diante da grave situação gerada por tamanho despreparo e violência desnecessária por parte da equipe de Polícia Civil, a APRA-TO exige apuração rigorosa do caso por parte dos órgãos competentes. A Associação espera que a OAB, o Ministério Público, e os Direitos Humanos, apresentem a mesma habilidade com a qual atuaram em relação ao caso do Delegado de Polícia Marivan da Silva Souza, alvejado superficialmente por um policial militar no município de Guaraí, em outubro do ano passado, em procedimento padrão da PMTO.

Por fim, a APRA-TO espera que os órgãos competentes tomem providências para que seja solicitada a prisão preventiva dos policiais civis envolvidos no atentado à vida do Sargento Rodrigues, sendo tal medida indispensável para se tenha uma investigação isenta, com o objetivo de que seja feita justiça e os culpados sejam responsabilizados e devidamente punidos.

O sargento João Victor, presidente da APRA-TO, informa que hoje às 14h estará na Promotoria para tentar falar com o promotor da área criminal, solicitando uma investigação isenta por parte das instituições. O presidente informa ainda que disponibilizará total apoio jurídico aos familiares do Sargento Rodrigues. (Com informações da Secretaria de Segurança Pública e APRA)

Por: Laila Mariana Salvador (Estagiária)

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