Meio Ambiente

Foto: Wanieulli Paschoal A formação de ninho sinaliza o início do período reprodutivo das araras A formação de ninho sinaliza o início do período reprodutivo das araras

Nesta quinta-feira, 16, o período reprodutivo e a sensibilidade das araras é o tema abordado por especialistas do Centro de Fauna da Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e do município de Colinas, especialista abordarão o tema para sensibilização popular e proteção da  espécie. De acordo com a região, o período reprodutivo ocorre em diferentes épocas do ano. No Estado do Tocantins, o início da nidificação vem se evidenciando no mês de agosto, encerrando em janeiro do ano seguinte.

A inspetora de Recursos Naturais do Naturatins, Angélica Beatriz Corrêa Gonçalves, esclareceu sobre a variação dos meses de nidificação das araras, conforme cada região, e  disse que pode estar associada à disponibilidade e variedade de alimentos nas diversas ocorrências do bioma cerrado.

Beatriz reitera que ao se sentir ameaçada a arara tende a abandonar o ninho. "As pessoas podem observar, fotografar, mas não devem oferecer alimentos. Então, considerando a sensibilidade e a taxa de sobrevivência das araras, ao notar a formação de um ninho ou a alimentação de filhotes, é recomendável que as pessoas evitem a aproximação excessiva, para não interferir nesse processo", finalizou.

O biólogo e consultor ambiental Wanieulli Pascoal, desenvolve um trabalho de campo voltado para ornitologia, em que realiza levantamentos e estudos da avifauna no município de Colinas, e observou. "Os psitacídeo são aves atraentes pela combinação de cores chamativas. Essa beleza desperta o desejo de possuir ou registrar fotos. Na falta de cavidades naturais nos arredores da cidade, algumas se acomodam em ambientes urbanos com a disponibilidade de cavidades em troncos de palmeiras. Mas geralmente as fotografias e vídeos são feitos com celular, que não possui capacidade de longo alcance, então as pessoas acabam se aproximando mais que o recomendado", advertiu.

"Ao se sentir ameaçada, as araras podem abandonar os ninhos com ovos, filhotes ou até mesmo adiar o início da reprodução. A oferta de alimento facilita a aproximação da aves com os humanos e a ampla divulgação dos locais dos ninhos desperta o interesse de pessoas relacionadas ao tráfico de animais. Portanto é muito importante o apoio dos órgãos ambientais e da mídia, nesse trabalho de instrução e sensibilização para que as pessoas possam contribuir para proteção da espécie", alertou Wanieulli Pascoal.

Para a médica-veterinária do Naturatins, Grasiela Pacheco, a alimentação inadequada compromete o desenvolvimento das aves que pode ser irreversível. "Os filhotes recebem cuidados intensivos dos pais, pois os neonatos são desprovidos de penas, visão e locomoção. No ninho são mantidos aquecidos, recebem alimentação regurgitada no bico com frequência, em pequenas quantidades e temperatura ideal, além da proteção contra predadores, período que estão vulneráveis”, pontuou exemplificando.

"A gente sabe que há uma boa intenção, quando moradores tentam ajudar alguns filhotes que caem dos ninhos, mas não basta encher o papo de mingau, os cuidados são peculiares, a dieta é balanceada de acordo com a espécie e idade. Em condições naturais uma arara adulta percorre, em média, 20 km ao dia, em busca dos frutos nativos. Elas possuem hábitos diurnos, sendo o período matutino, o principal, para repor o alto gasto energético que precisam pra voar", ilustrou Grasiela complementando.

Para a população comunicar a ocorrência de ninhos em áreas urbanas e acionar o Cento de Fauna Silvestre do Tocantins, o Naturatins o e-mail fauna@naturatins.to.gov.br.