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Opinião

Muito se fala sobre o déficit de profissionais de TI e a preocupação em recrutar novos talentos para o setor nos próximos anos para suprir a alta demanda. Segundo a Associação Brasileira de Tecnologia da Informação, Comunicação e Tecnologias Digitais (Brasscom), o mercado precisará de 532 mil profissionais de tecnologia até 2025, entretanto, o que as empresas estão fazendo para incentivar que bons profissionais cheguem neste setor?

Diversas instituições passaram a oferecer cursos especializados em tecnologia para capacitar profissionais e inseri-los no mercado. A iniciativa é boa, mas não suficiente. A carência de mão de obra qualificada não será resolvida apenas com capacitação: as folhas de pagamento também são um problema sério que alimenta o “monstro do apagão”. Não é surpresa que uma boa empresa deve abrir o bolso e pagar bem o profissional de tecnologia. No entanto, há um erro grotesco neste mercado que, se não for corrigido, vai continuar perdendo gente para empresas estrangeiras. A diferença salarial entre homens e mulheres em cargos de tecnologia é gritante, enquanto a mão de obra feminina tem aumentado a cada ano.

O cargo de Desenvolvedor Front-End, por exemplo, é o maior do Brasil em questão de disparidade salarial entre gêneros: um homem recebe 63% a mais do que uma mulher na mesma função, segundo levantamento do Banco Nacional de Empregos. E como preencher o déficit no setor se há estatísticas assim que desencorajam mulheres a entrarem na área?

Com um mercado predominantemente masculino, as mulheres desenvolvedoras correspondem ocupam apenas 12% neste cargo, de acordo com pesquisa realizada pela Rocketseat, edtech de formação de desenvolvedores. Dessa forma, incentivar profissionais mulheres a ingressar em carreiras de tecnologia pode ser uma saída para recrutar mais profissionais qualificados no país. Para que haja incentivo, é preciso, então, ampliar políticas de diversidades de contratação, bem como capacitação de mulheres para que elas cheguem a cargos de liderança.

 Para colaborar ainda mais no debate, acrescento ainda que é preciso consolidar a formação de mulheres da tecnologia ainda cedo, com iniciativas efetivas para reter esses talentos. Montar uma equipe de recrutadores diversos, com mulheres, negros, LGBTQIA+ também é fundamental, apenas um departamento de recursos humanos diverso vai ter o olhar certo para a diversidade em outros setores também.

 Ter que solucionar um problema de falta de profissional é grave -- mas é sinal de que temos muita inovação pela frente para ser desenvolvida. Assim, sair da bolha e tornar esse mercado mais diverso e justo colocará o Brasil como um dos países com os melhores profissionais de tecnologia do mundo.

*Pedro Luiz Pezoa é CEO da Pointer, startup focada em contratações eficientes de profissionais de alto nível das áreas de Produto, TI e Design, encontrando o profissional certo de acordo com a cultura da empresa e reinventando o recrutamento por indicação de talentos.