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Opinião

Recentemente, a ONU confirmou Belém (PA) como a sede da COP-30, a conferência para o clima que acontecerá em novembro de 2025. O evento reúne anualmente lideranças mundiais para debater soluções para conter o aquecimento global e criar alternativas sustentáveis para a vida na Terra. A escolha premiou o engajamento do governo atual com as questões ambientais, mas, na prática, ainda há muito por fazer nessa área e pouco apoio a soluções simples e efetivas, como a energia termossolar.

O Brasil apresenta excelentes condições para a implantação da energia solar térmica como fonte alternativa de geração energética. Rico em sol, o país recebe uma radiação solar média entre 4,2 e 6,2 kWh/m² por dia. Apesar desse potencial e de um significativo parque industrial, a tecnologia ficou de fora do Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, e não tem sido considerada nos projetos do Ministério de Minas e Energia.

Vários fatores atrapalham a plena adoção da tecnologia já tão utilizada em outros países com menos insolação do que o nosso: legislação desfavorável para investimentos em eficiência energética; ausência ou não adequação de linhas de financiamento; falta de incentivo das autoridades; e desconhecimento. Uma pena, pois se trata de uma tecnologia em constante desenvolvimento com fabricação e utilização de conteúdo local em quase 100%, que gera mais de 50 mil empregos diretos e indiretos no Brasil em toda cadeia sua cadeia produtiva, dos quais 20% são ocupados por mulheres.

Além disso, a energia termossolar fortalece muito a cultura em favor do meio ambiente. Com o atual parque instalado no país, é possível evitar anualmente a emissão de mais de 4,5 milhões de toneladas de CO₂, com o potencial para chegar a mais de 60 milhões de toneladas de CO₂, o que reduziria em mais de 13% as emissões anuais e honraria o Acordo de Paris, de 2015.

A tecnologia atende plenamente aos critérios que beneficiam, por exemplo, a indústria automobilística, baseados no tripé: social (aumento de empregos e renda); ambiental (redução na emissão de gases de efeito estufa e uso pela própria indústria de sistemas de aquecimento solar na produção de seus equipamentos material reciclável sem a geração de resíduos); e densidade industrial, que diz respeito à quantidade de equipamentos e seus acessórios produzidos no Brasil.

Quando se pensa no consumidor final, a utilização de sistemas de aquecimento solar tem várias vantagens. A primeira delas é a redução significativa do uso de energia elétrica no horário de pico, quando os chuveiros elétricos ligados simultaneamente representam 37% do consumo elétrico em residências e 7,2% do total de eletricidade no Brasil.

Com isso, há uma contribuição para o aumento da renda das famílias e pequenos negócios, como salões de cabeleireiros, petshops, clínicas médicas ou de fisioterapia, restaurantes, academias e lavanderias, entre outras aplicações. Com um investimento a partir de R$ 2.089,00, uma família obtém uma economia significativa na conta de energia elétrica de 40%. Quanto menor a renda da família, mais representativa para o orçamento doméstico é o custo da energia elétrica. Na prática, o dinheiro economizado é revertido para outras necessidades como, por exemplo, alimentação, saúde, educação e lazer.

Nos pequenos negócios, a tecnologia permite maior independência financeira, pois as empresas podem organizar seu orçamento e evitar os ajustes tarifários na conta de energia elétrica, de gás ou quaisquer outros combustíveis fósseis. Vale lembrar ainda que o payback de um aquecedor solar é de cerca de um a três anos e a vida útil acima de 30 anos. Com o aumento dos demais energéticos como eletricidade e gás natural, a tendência é que o payback reduza ainda mais.

Vale mencionar ainda a redução da sobrecarga de energia e dos custos de transmissão e distribuição da rede elétrica. Para cada chuveiro elétrico adicionado à rede elétrica, são necessários gastos em transmissão e distribuição no valor de R$ 5.000,00 por domicílio. Além disso, a tecnologia opera de forma completamente desconectada da rede elétrica, o que minimiza os problemas de um novo racionamento de energia no Brasil. Apesar de todas essas vantagens, apenas 5% dos domicílios utilizam aquecimento solar para aquecer água.

*Luiz Antonio dos Santos Pinto é presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Térmica (Abrasol).