Quem olha para a economia do Tocantins sabe que sua relação com a China é vital para o Estado. Afinal, o País asiático continua sendo o principal destino das suas exportações.
Os números comprovam essa dependência positiva: o Tocantins teve um crescimento de 46,5% nas exportações no começo de 2025, impulsionado pela demanda chinesa por commodities como soja e carne. No entanto, essa via comercial não é de mão única.
Enquanto os navios saem do Brasil cheios de produtos de todos os tipos, a China envia de volta uma "commodity" que é diferente, impalpável, mas igualmente valiosa: a estética digital. Hoje, a cultura pop e o design visual chineses estão presentes nas telas dos brasileiros, mudando a forma como consumimos entretenimento.
A porta de entrada da estética chinesa: o hardware mais acessível
Para entender como essa estética "pegou" no Brasil, é preciso olhar para o bolso e para a mão do consumidor. Com a popularização de smartphones de marcas asiáticas, como a Huawei, a Realme ou a Xiaomi, o brasileiro se acostumou a consumir conteúdo em telas verticais de alta definição. Para se ter uma ideia, duas marcas chinesas são mais populares no mercado nacional do que a própria Apple.
A estética da prosperidade como produto de exportação
O mercado do entretenimento também começou a se adaptar a essa estética chinesa. Cores como vermelho e dourado, além de animais do zodíaco chinês, deixaram de ser apenas tradição para virarem produtos de entretenimento global.
Um bom exemplo é o TikTok, que já coleciona mais de 91 milhões de usuários brasileiros. O app ajudou a acostumar os brasileiros com a lógica de navegação rápida, rolagem infinita e estímulos visuais constantes.
Não à toa, o design minimalista ocidental, muito representado pela Apple, (com muito branco e cinza) perdeu espaço para o estilo oriental: vibrante, cheio de elementos na tela e focado na retenção imediata da atenção. É nesse cenário que a simbologia chinesa encontrou um mercado ávido para crescer.
Essa tendência é tão forte que até empresas de fora da China precisaram se adaptar. Desenvolvedoras globais, como a PG Soft, notaram o apelo dessa estética e criaram produtos que utilizam esses códigos culturais para engajar o público.
Um exemplo claro é o Fortune Tiger, conhecido como Jogo do Tigrinho por aqui. O game usa um mascote cartunesco do Tigre do horóscopo chinês, além de apresentar uma interface colorida, com muitos símbolos, cores e brilho.
O sucesso desse tipo de produto prova que a estética chinesa se tornou uma linguagem universal de entretenimento no Brasil. O usuário não vê mais estranheza nos símbolos orientais; pelo contrário, ele os associa à diversão e à possibilidade de ganho.
Qual o saldo dessa balança comercial?
No fim das contas, a balança comercial entre Brasil e China evoluiu para um modelo híbrido. Continuamos alimentando a potência asiática com o que produzimos no campo, mas agora também recebemos influência cultural de uma sociedade que é milenar.
Seja rolando o feed de uma rede social, seja jogando no celular, o brasileiro já naturalizou a presença da cultura da China em seu cotidiano. E se os dados de exportação e importação continuarem nesse ritmo, essa mistura de soja com pixels será a base da nossa economia por muito tempo.

