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Cultura

Foto: Filipe Araújo/ MinC

Foto: Filipe Araújo/ MinC

O Comitê de Cultura no Tocantins destaca a importância dos dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) durante a 5ª edição dos Diálogos SNIIC, promovida pelo Ministério da Cultura (MinC). Segundo o levantamento mais recente do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC), a cultura brasileira emprega atualmente cerca de 5,9 milhões de pessoas e movimenta R$ 387,9 bilhões em valor adicionado à economia — o equivalente a aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os números reforçam que a cultura não é apenas expressão simbólica e identidade, mas também vetor estratégico de desenvolvimento econômico e geração de renda no país. De acordo com os dados do IBGE, em 2022 o Brasil contabilizava 644,1 mil organizações culturais formalmente constituídas, responsáveis por empregar 2,6 milhões de pessoas. A massa salarial do setor chegou a R$ 102,8 bilhões, com remuneração média mensal superior à média nacional.

O levantamento considera não apenas as artes em sentido estrito, mas também atividades ligadas à economia criativa, como produção audiovisual, fabricação de mídias, softwares, equipamentos e serviços associados. Com esse recorte ampliado, a cultura representa 6,8% do total de empresas do país e 4,2% do pessoal ocupado formalmente. Em 2023, as atividades culturais somaram R$ 910,6 bilhões em receita líquida, evidenciando a capilaridade e o dinamismo do setor.

Dados

Para o Comitê de Cultura no Tocantins, os dados reafirmam a necessidade de fortalecer políticas públicas estruturantes, que ampliem oportunidades de formalização e sustentabilidade econômica, especialmente nos estados da Região Norte.

Apesar da relevância econômica, o setor cultural ainda enfrenta forte informalidade. Em 2024, a cultura reuniu 5,9 milhões de trabalhadores, o equivalente a 5,8% do total de ocupados no país. No entanto, 44,6% atuavam em ocupações informais, e 43% trabalhavam por conta própria. O levantamento revela ainda um dado significativo: 30,1% dos trabalhadores da cultura possuem ensino superior completo — percentual superior à média nacional —, mas ainda assim enfrentam vínculos precários de trabalho.

As desigualdades regionais também são expressivas. Estados como São Paulo e Rio de Janeiro apresentam maior participação do setor no total de ocupados, enquanto unidades da Região Norte registram índices mais baixos, evidenciando a necessidade de políticas descentralizadas e territorializadas.

Para o coordenador-geral do Comitê de Cultura no Tocantins, Kaká Nogueira, esses dados dialogam diretamente com a realidade local, onde muitos trabalhadores e trabalhadoras da cultura atuam como microempreendedores individuais ou em formatos autônomos, demandando mecanismos mais eficazes de proteção social e estímulo à formalização.

Preços, acesso e cultura digital

O estudo também apresentou o Índice de Preços da Cultura (IPECult), que registrou variação inferior ao índice geral de inflação entre 2020 e 2024, sugerindo relativa estabilidade nos preços de bens e serviços culturais. Outro destaque é o avanço do acesso digital: cerca de 90% da população com 10 anos ou mais utilizou a internet nos três meses anteriores à pesquisa. Entre as práticas culturais online mais frequentes estão assistir a vídeos, ouvir músicas ou podcasts e ler notícias ou livros digitais.

Para o Comitê, o crescimento do consumo cultural mediado por plataformas digitais reforça a importância de investimentos em conectividade, formação tecnológica e democratização do acesso, especialmente em comunidades periféricas, rurais e tradicionais.

Patrimônio, turismo e economia criativa

Os dados também apontam a relevância do turismo cultural e de natureza. Em 2024, foram registradas cerca de 1,7 milhão de viagens motivadas principalmente por cultura e gastronomia, além de 1,5 milhão com foco em natureza, ecoturismo e aventura. O levantamento evidencia o potencial estratégico do patrimônio histórico, cultural e natural como indutor de desenvolvimento sustentável e geração de renda nos territórios.

Comitê

O Comitê de Cultura no Tocantins é resultado de uma parceria entre a Federação Tocantinense de Artes Cênicas (FETAC), a Associação Gurupiense de Artesãos (AGA) e o Instituto Social Cultural Araguaia (ISCA). Com sede em Palmas, o comitê faz parte do Programa Nacional de Comitês de Cultura do Ministério da Cultura e conta com representações regionais: uma em Gurupi, que cobre as regiões sul e sudeste do estado, e outra em Araguaína, responsável pela atuação no norte do Tocantins.