No Tocantins, onde o calor intenso faz parte da rotina durante boa parte do ano, pensar o imóvel ideal exige mais do que atenção à estética. Em cidades como Palmas, projetar casas e apartamentos sem considerar as altas temperaturas pode comprometer o conforto dos moradores e pesar no consumo de energia.
Para especialistas do setor imobiliário, adaptar os projetos às condições climáticas do estado é uma medida cada vez mais necessária. Desde a posição da construção no terreno até os materiais usados em fachadas e coberturas, decisões tomadas ainda na planta podem deixar os ambientes mais ventilados, agradáveis e funcionais, sem dependência exclusiva do ar-condicionado.
Segundo o presidente da Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário do Tocantins (Ademi-TO), João Paulo Tavares, um dos erros mais comuns em projetos residenciais é ignorar a realidade climática local.
“Em uma capital como Palmas, onde as altas temperaturas predominam praticamente o ano inteiro, o maior erro é projetar ignorando o clima. Entre os equívocos mais comuns estão fachadas voltadas para o poente sem proteção, grandes áreas de vidro expostas ao sol, coberturas sem isolamento térmico, falta de ventilação cruzada e ausência de sombreamento natural. Quando o projeto não responde às condições climáticas, o morador paga essa conta todos os meses na energia”, afirma.
A avaliação vale tanto para casas quanto para apartamentos. No caso dos empreendimentos verticais, fatores como incidência solar, ventilação, proteção de fachadas e escolha de materiais também fazem diferença no desempenho térmico das unidades. Como as empresas associadas à Ademi-TO atuam justamente na construção de imóveis residenciais, incluindo apartamentos, o debate sobre soluções adequadas ao clima tem ganhado cada vez mais espaço no setor.
João Paulo observa que muitos modelos arquitetônicos reproduzidos no Brasil foram inspirados em padrões estrangeiros, especialmente europeus, pensados para reter calor em regiões frias. No Tocantins, porém, esse tipo de solução pode provocar o efeito contrário ao desejado, tornando os ambientes ainda mais quentes.
Para amenizar o problema, algumas estratégias simples podem ser incorporadas ao projeto. “Apostar em cores claras, utilizar materiais com melhor desempenho térmico, investir em coberturas com isolamento, além de elementos como brises, beirais e varandas, são medidas que ajudam a reduzir a temperatura interna e melhorar o conforto nos ambientes”, explica.
Além do bem-estar, projetar de acordo com o clima local também traz impacto econômico e valoriza o imóvel ao longo do tempo. “Projetos que consideram o clima desde o início garantem mais conforto, reduzem o consumo de energia e valorizam o imóvel a longo prazo. Construir bem para a realidade do Tocantins é investir em qualidade de vida”, finaliza.
3 dicas para melhorar o clima em casa
Uma casa que mantém a sensação térmica mais agradável do que a temperatura da rua se torna naturalmente mais aconchegante e relaxante. Para chegar a esse resultado, porém, é fundamental que o conforto térmico seja pensado desde o início do projeto, e não apenas como um ajuste feito depois da obra pronta.
1. Tenha plantas em casa
As plantas ajudam a umidificar e purificar o ar, deixando a casa mais leve e trazendo sensação de frescor aos moradores. Para que o efeito seja realmente percebido, não basta colocar apenas um vaso na mesa da cozinha; o ideal é distribuir diferentes espécies pelos vários ambientes do lar.
2. Invista em brises, beirais generosos e varandas
Elementos de sombreamento são grandes aliados em regiões quentes. Brises, beirais mais largos e varandas ajudam a proteger portas e janelas da insolação direta, diminuindo o aquecimento interno.
3. Garanta ventilação cruzada de verdade
Não basta ter janelas; é preciso que elas estejam posicionadas de forma estratégica para permitir a circulação contínua do ar. A ventilação cruzada real cria correntes naturais que ajudam a renovar e resfriar os ambientes.

