Conexão Tocantins - O Brasil que se encontra aqui é visto pelo mundo
Análise Econômica

“Na prática, o corte de 0,25 ponto não destrava o crédito, porque o custo segue elevado e o sistema bancário continua seletivo. A alta do petróleo pressiona os custos e aumenta a necessidade de capital de giro das empresas, o que pode elevar a demanda por crédito em um momento de restrição. Isso limita a queda mais rápida da Selic. Nesse cenário, estruturas como FIDCs ganham espaço por oferecer alternativas mais eficientes de financiamento. Para 2026, a tendência é de crescimento mais contido, com crédito ainda restrito”. Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.

“O corte de 0,25 ponto na Selic marca mais um passo importante dentro de um ciclo que tende a ser gradual, mas consistente. Mesmo com o cenário externo mais desafiador, especialmente com a alta do petróleo, o momento reforça a importância de uma leitura mais técnica e estruturada do mercado por parte dos investidores. Esse ambiente amplia o papel da educação financeira, porque exige decisões mais conscientes e menos baseadas em expectativa de movimentos rápidos de juros. Para quem está preparado, o cenário continua oferecendo oportunidades relevantes, principalmente na construção de estratégias de longo prazo mais equilibradas e resilientes”. Fabio Louzada, CEO da B7 Business School.

“Um corte de 0,25 ponto percentual na Selic não é suficiente para destravar crédito e investimento, ainda permanecemos em um patamar elevado, um dos maiores juros reais do mundo. É uma sinalização, mas ainda não reflete um alívio imediato, sobretudo em um ambiente ainda marcado por elevada volatilidade externa e maior cautela de empresários e investidores. A alta do petróleo reduz o espaço para um ciclo mais intenso de queda dos juros, ao aumentar os riscos inflacionários. Diante desse cenário, o Banco Central tende a seguir com uma condução prudente da política monetária, avançando de forma gradual. Juros ainda elevados, combinados a um ambiente global mais incerto, tendem a frear consumo, investimentos e a tomada de crédito, o que pode resultar em uma desaceleração mais perceptível da atividade econômica ao longo de 2026”. Peterson Rizzo, Gerente de R.I da Multiplike.

“O Copom iniciou o ciclo com um corte de 0,25 ponto, levando a Selic para 14,75% ao ano. Esse tamanho de corte, por si só, não “destrava” crédito e investimento de uma vez, porque o juro ainda fica muito alto e o spread bancário não cai no mesmo dia; o efeito começa primeiro na rolagem de dívidas e no custo de capital de empresas melhores, e só depois chega ao consumo e ao investimento. Ao mesmo tempo, o choque externo ganhou peso: a escalada do conflito no Oriente Médio elevou o petróleo para a faixa de US$ 110 a US$ 115 em momentos recentes, o que tende a pressionar combustíveis, frete e custos em cadeia, afetando do varejo e logística até indústria e aviação, e podendo manter as expectativas de inflação mais pressionadas. Se esse choque persistir, ele aumenta a chance de o ciclo de queda da Selic ser mais lento e até sofrer pausas, porque o Banco Central pode preferir esperar a inflação e as expectativas acomodarem antes de acelerar novos cortes”. André Matos, CEO da MA7 Negócios.

“O corte de 0,25 ponto é um movimento esperado, mas ainda insuficiente para reduzir o custo de captação de forma relevante. A alta do petróleo pressiona a inflação e reduz o espaço para cortes mais rápidos, o que mantém o crédito caro. Nesse ambiente, empresas continuam buscando alternativas como securitização e FIDCs para acessar liquidez. Se esse cenário persistir, a economia tende a desacelerar em 2026, com impacto direto sobre investimento e consumo”. Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue.

“O corte de 0,25 ponto não altera o ponto central para o investidor, que é a previsibilidade do ciclo. Enquanto o juro permanece elevado e o cenário externo pressiona a inflação via petróleo, o ritmo de queda da Selic tende a ser mais lento. Isso muda menos o ‘quanto’ se ganha e mais ‘como’ se constrói patrimônio. Na prática, estratégias que dependem de financiamento perdem eficiência, enquanto modelos estruturados, como consórcio e aquisição planejada com geração de renda, ganham relevância justamente por não dependerem de crédito bancário tradicional. Se esse cenário se mantiver, 2026 deve favorecer quem consegue estruturar ativos com fluxo próprio, e não apenas esperar a queda dos juros”. Pedro Ros, CEO da Referência Capital.

“O corte de 0,25 ponto na Selic reforça o início de um ciclo que tende a ganhar consistência ao longo do tempo, ainda que de forma gradual. Mesmo com o cenário externo mais pressionado, especialmente pela alta do petróleo, o ambiente segue oferecendo oportunidades relevantes para quem investe com visão de médio e longo prazo. Para o ecossistema de startups, isso significa um momento de maior disciplina, mas também de amadurecimento. O capital continua disponível, porém mais direcionado para empresas com modelos sólidos e capacidade de execução. Esse ajuste tende a fortalecer o mercado, criando bases mais sustentáveis para novos ciclos de crescimento à frente”. Antonio Patrus, Diretor da Bossa Invest.

“O corte de 0,25 ponto não muda de forma estrutural o custo de capital, porque a curva de juros segue pressionada. O ponto central agora é a persistência da inflação, que pode ser impactada pela alta do petróleo. Isso limita a intensidade e a velocidade dos próximos cortes da Selic. Para o mercado de crédito estruturado, esse cenário mantém spreads elevados e torna operações como FIDCs ainda mais atrativas, já que capturam esse ambiente de juros altos. Em termos de atividade, a tendência é de um crescimento mais moderado em 2026, justamente pela permanência desse custo elevado”. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.

“O corte de 0,25 ponto na Selic tem valor simbólico por marcar o início do ciclo de flexibilização, mas é insuficiente, por si só, já que o juro real segue elevado e o custo de capital ainda limita decisões mais agressivas de consumo e expansão produtiva. Se mantidos nesse patamar por mais tempo, especialmente combinados a um choque externo mais forte, os juros podem sim desacelerar a economia em 2026, reduzindo confiança e adiando projetos. O avanço do conflito geopolítico e a alta do petróleo ampliam esse risco, porque pressionam inflação, câmbio e expectativas, afetando não apenas energia, mas toda a cadeia de transporte, alimentos e indústria. Se esse choque persistir, o Banco Central do Brasil pode ser forçado a interromper ou reduzir o ritmo de queda da Selic para preservar a ancoragem inflacionária, tornando o ciclo de cortes mais curto e mais cauteloso do que o mercado inicialmente projetava”. Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos.

“O corte de 0,25 ponto não altera de forma relevante a estratégia do investidor, porque o ambiente ainda é de juros elevados. A alta do petróleo aumenta a incerteza inflacionária e pode limitar a continuidade do ciclo de cortes, o que reduz a previsibilidade do cenário. Para quem investe, isso reforça a importância de diversificação, inclusive internacional, já que o ciclo doméstico pode ser mais longo. Em 2026, esse ambiente tende a resultar em crescimento mais moderado, com maior volatilidade”. Fábio Murad, Economista e CEO da Super-ETF Educação.

“Para o ecossistema de negócios, um corte de 0,25 ponto não altera a dinâmica do capital disponível. O custo segue elevado e o investidor continua seletivo, o que limita decisões de expansão. A escalada do petróleo adiciona um fator de incerteza relevante, porque impacta custos e reduz previsibilidade, elementos-chave para quem está investindo em crescimento. Nesse ambiente, o ciclo de queda de juros tende a ser mais lento e menos efetivo. Se os juros permanecerem elevados por mais tempo, o crescimento em 2026 deve ser mais disciplinado, com foco em eficiência e geração de caixa”. João Kepler, CEO da Equity Group.