O Brasil viu mais de 8 mil startups deixarem de existir nos últimos dez anos, segundo levantamento divulgado pelo InfoMoney. O dado acende um alerta para um problema recorrente no ambiente de inovação: empresas que crescem rapidamente, mas sem estrutura suficiente para sustentar essa expansão.
Com foco em produto, vendas e captação de investimento, muitos negócios acabam deixando em segundo plano a organização jurídica. O resultado é um crescimento desordenado, que pode gerar conflitos entre sócios, insegurança nas decisões e dificuldades para manter a empresa no longo prazo.
Para o advogado empresarial Thércio Cavalcante, o erro está na forma como o empreendedor enxerga a estrutura do negócio. “Muitas empresas nascem com pressa de crescer, mas sem definir regras básicas. Quando a empresa começa a dar certo, surgem os conflitos, e sem uma estrutura bem definida, isso pode comprometer tudo o que foi construído”, explica.
Entre os principais problemas está a ausência de um acordo de sócios bem estruturado. Diferente do contrato social, que formaliza a empresa, o acordo define regras mais profundas, como responsabilidades, divisão de lucros, tomada de decisões e até a saída de um dos sócios.
Outro ponto de atenção é a informalidade nas relações. É comum que, no início, decisões importantes sejam feitas sem registro formal, especialmente quando os sócios têm relação de confiança. Com o crescimento da empresa, no entanto, essa falta de formalização pode gerar divergências e até disputas judiciais. Além disso, a ausência de contratos bem definidos com clientes, fornecedores e parceiros aumenta a exposição a riscos financeiros, como inadimplência e prejuízos operacionais.
O cenário também impacta diretamente a atração de investidores. Empresas sem governança e com fragilidades jurídicas tendem a perder valor e enfrentam mais dificuldade para captar recursos. Para o especialista, a estrutura jurídica deve acompanhar o ritmo de crescimento da empresa.
“Crescer é importante, mas crescer com segurança é o que garante a continuidade do negócio. A organização desde o início evita problemas que, no futuro, podem custar muito mais caro”, afirma. Em um mercado cada vez mais competitivo, a combinação entre inovação e segurança jurídica se torna essencial para que startups e novos negócios consigam se desenvolver de forma sustentável. (Precisa/AI)

