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Opinião

Antonio Tuccilio é presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos.

Antonio Tuccilio é presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos. Foto: Divulgação

Foto: Divulgação Antonio Tuccilio é presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos. Antonio Tuccilio é presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos.

O novo Plano Nacional de Educação, aprovado pelo Senado em março de 2026, reorganiza metas e amplia o foco na qualidade da educação, na alfabetização, no ensino técnico e em mecanismos de acompanhamento periódico dos resultados. Isso é importante porque revela um reconhecimento mais claro de um problema que o país carrega há décadas: ampliar o acesso à escola não tem sido suficiente para elevar, no mesmo ritmo, a qualidade real da formação oferecida. O Brasil avançou em cobertura e permanência, mas ainda convive com uma base educacional que não responde, na velocidade necessária, às transformações do trabalho e da produção.

No PISA 2022 (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), metade dos estudantes brasileiros ficou abaixo do nível mínimo em leitura, 73% abaixo do mínimo em matemática. Ao mesmo tempo, 27% dos brasileiros que estão no mercado de trabalho são analfabetos funcionais. Isso quer dizer que o país ainda forma e absorve no trabalho milhões de pessoas que chegam à vida adulta sem base suficiente para aplicar conhecimentos básicos no dia a dia.

O problema é mais sério hoje, porque o mercado de trabalho já começou a mudar. Automação, inteligência artificial, digitalização e robótica tendem a esvaziar funções mais repetitivas e a valorizar profissionais capazes de lidar com tecnologia, raciocínio analítico e adaptação constante. Só que o Brasil ainda forma pouco para esse novo cenário, formando apenas cerca de 53 mil profissionais de perfil tecnológico por ano para uma demanda média de 159 mil.

Em meio a todos os entraves fiscais e estruturais, a educação segue sendo um dos mais profundos. Não apenas porque reduz a produtividade média da população, mas porque limita a capacidade do país de incorporar tecnologia e reagir com rapidez às mudanças que já estão em curso. Um país que não forma pessoas com base sólida e senso crítico suficiente para reaprender sempre que necessário não acompanha a transformação do mundo, e se limita a reagir tarde às transformações que outros países já moldaram.

O Brasil pode crescer, mas continuará crescendo abaixo do que poderia enquanto sua formação pública seguir aquém do que o presente e o futuro exigem. A CNSP defende que valorizar a educação pública também significa reconhecer que não haverá salto de produtividade, capacidade de adaptação nem protagonismo nacional sem investimento consistente, gestão séria e valorização de quem transforma a política educacional em realidade. Defender a escola pública e seus servidores, não é apenas uma pauta social, é defender a capacidade do país de não ficar para trás.

*Antonio Tuccilio é presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos.