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Foto: Antônio Gonçalves/Secom-TO

Foto: Antônio Gonçalves/Secom-TO

O primeiro trimestre de 2026 apresentou números negativos no comércio exterior da piscicultura nacional. As exportações caíram 39% em valor financeiro, passando de U$ 18,5 milhões entre janeiro e março de 2025 para U$ 11,2 milhões no mesmo período deste ano. Em toneladas, a queda foi ainda maior. Das 3.900 toneladas nos três primeiros meses de 2025, as exportações foram a 2.300 de janeiro a março de 2026, significando 41% menos entre os dois períodos.

No entanto, a queda do tarifaço dos Estados Unidos no final de fevereiro, quando a tarifa para exportação para aquele país passou de 50% para os normais 10%, permitiu o início de uma recuperação que tende a permanecer. Em toneladas, as exportações da piscicultura brasileira foram de 592 em janeiro, 711 em fevereiro e 1.006 em março. Em valor financeiro, foram U$ 3 milhões em janeiro, U$ 3,1 milhões em fevereiro e U$ 5,1 milhões em março.

O expressivo aumento entre fevereiro e março pode estar diretamente ligado ao fim do tarifaço. O pesquisador Manoel Pedroza, da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), explica que “a derrubada do tarifaço no mês de fevereiro 2026 permitiu que o Brasil voltasse a exportar pescados para os Estados Unidos com uma tarifa de 10%, o que permitiu aos exportadores brasileiros retomarem os embarques - principalmente de filés frescos de tilápia”. 

De acordo com ele, “essa recuperação já pôde ser vista no mês de março e deve continuar ao longo do ano, enquanto permanecer a atual tarifa de 10%. No entanto, vale lembrar que a queda do tarifaço se deu por uma ação da Suprema Corte dos Estados Unidos e que existe um risco dessa decisão ser revertida e as tarifas voltarem a ser elevadas, o que afetaria novamente as exportações brasileiras”.

Importações do Vietnã

Outro ponto que chamou a atenção no comércio exterior da piscicultura brasileira no primeiro trimestre de 2026 foi o aumento das importações de tilápia do Vietnã. No final do ano passado, apenas Santa Catarina e São Paulo importavam a espécie daquele país asiático. Em fevereiro, dois outros estados passaram a fazer o mesmo: Minas Gerais e Rio de Janeiro. E, em março, Pernambuco e Maranhão se juntaram ao grupo. 

Manoel pondera que “a importação de tilápia do Vietnã gera riscos sanitários e econômicos para essa cadeia produtiva no Brasil. Do ponto de vista sanitário, existe um risco de entrada de doenças ainda não existentes aqui. No âmbito econômico, a existência de subsídios por parte do governo do Vietnã e regulações ambientais e sociais menos restritivas que as do Brasil possibilitam que a tilápia vietnamita chegue aqui a preços mais baixos do que o custo de produção do produto brasileiro”. 

E segue dizendo que “além disso, alguns estados brasileiros oferecem isenção de ICMS para a tilápia importada, o que contribui para seu menor preço. O filé de tilápia congelado importado do Vietnã tem chegado a um valor médio FOB em torno de R$ 21,00/kg, o que é bem inferior ao custo de produção do filé nacional”. FOB é um termo comercial internacional e se refere a mercadorias sobre as quais não incidem alguns custos, como frete e seguro. ICMS é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

Tendência

Nos últimos meses, o comércio exterior da piscicultura nacional tem oscilado por motivos diversos. Manoel aponta que “o tarifaço dos Estados Unidos expôs os riscos ligados à concentração das exportações em um único mercado. Essa situação tem levado os exportadores brasileiros a buscarem novos mercados, tais como México e Canadá, que são países para onde têm aumentado as exportações de tilápia do Brasil. Essa diversificação é uma tendência que deve se consolidar nos próximos anos, porém seu sucesso dependerá da capacidade do setor de se destacar em segmentos de mercados mais competitivos, tal como o de tilápia congelada”.

Os dados de acompanhamento do comércio exterior da piscicultura brasileira são organizados, trabalhados e divulgados a cada três meses pela Embrapa em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). O Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura é uma publicação gratuita e acaba de sair a 25ª edição, referente ao primeiro trimestre de 2026. 

O boletim é resultado do projeto Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil, o BRS Aqua. Coordenado pela Embrapa, tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (SNA / MPA) e da própria Embrapa, contando ainda com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).