O IPCA-15 referente ao mês de abril registrou inflação de 0,89%, abaixo dos 0,98% esperados pelo mercado. O acumulado no ano foi a 2,39%, e em 12 meses passou a 4,37% - abaixo dos 3,90% observados nos 12 meses anteriores e se aproximando do teto da meta (4,5%).
Entre os grupos que compõem o IPCA, a principal influência para a inflação do mês veio, mais uma vez, do grupo Alimentação e Bebidas, reagindo a alta de itens como cenoura, cebola e carnes.
A segunda maior contribuição veio, mais uma vez, do grupo Transportes: sob influência de combustíveis no geral, e da gasolina em particular, o grupo foi responsável por 27 pontos da inflação no mês. O preço da gasolina passou de -0,08% em março a 6,23% em abril, sendo o principal impacto individual da inflação no período.
Nas principais medidas de núcleos, a despeito da desaceleração de serviços, foi observada uma alta não esperada em bens industriais. Além disso, preços livres e preços administrados voltaram a subir. Com isso, a média dos núcleos também subiu.
Por fim, foi observada uma desaceleração relevante nos preços de passagens aéreas, que passaram de 5,94% em março a -14,32% em abril.
O que achamos
Apesar de ter apresentado um número abaixo das expectativas, o IPCA-15 de abril trouxe uma composição qualitativamente pior. Isso fica evidente em surpresas no grupo de bens industriais, por exemplo, o que possivelmente já é resultado do choque nos preços de petróleo.
Outro ponto importante é o preço de combustíveis: mesmo sem o repasse da Petrobras para a gasolina, este item foi, pelo segundo mês consecutivo, a maior contribuição individual do IPCA.
Por fim, cabe mencionar que o número cheio só ficou abaixo do esperado por conta dos preços de passagens aéreas: pela metodologia do IBGE, estes preços são divulgados com um atraso de 2 meses, ainda não há o impacto do aumento do querosene para aviação no IPCA. Não fosse esse “delay” em passagens aéreas, muito provavelmente a inflação do mês teria sido maior.
*Helena Veronese é economista-Chefe B.Side Investimentos.
