No próximo 12 de maio, quando se celebra o Dia do Enfermeiro, o Brasil terá mais uma oportunidade de reconhecer uma das profissões mais essenciais para o funcionamento do sistema de saúde. Em hospitais, unidades básicas, clínicas, ambulatórios, empresas e, cada vez mais, dentro das casas dos pacientes, enfermeiros e enfermeiras sustentam uma engrenagem indispensável para a preservação da vida. São profissionais que vão muito além da execução de procedimentos: coordenam equipes, organizam fluxos de atendimento, garantem a segurança assistencial e atuam como elo entre pacientes, familiares, médicos e todo o sistema de cuidado.
Sem a enfermagem, simplesmente não existe assistência estruturada. O enfermeiro está no centro das decisões cotidianas que garantem a continuidade do tratamento, a humanização do atendimento e a qualidade da assistência. Seu papel combina conhecimento técnico, capacidade de liderança, gestão de pessoas e sensibilidade humana. Em um cenário de envelhecimento populacional e aumento das doenças crônicas, essa atuação ganha ainda mais relevância.
A enfermagem brasileira também se tornou protagonista em novas frentes de cuidado. A presença desses profissionais fora do ambiente hospitalar é hoje estratégica para prevenir doenças, promover saúde e ampliar o acesso da população ao atendimento contínuo. Na atenção primária, na saúde da família, na educação em saúde, na pesquisa, na gestão e até no empreendedorismo, os enfermeiros ocupam espaços fundamentais para modernizar o setor.
Nesse contexto, o crescimento da atenção domiciliar talvez seja um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação. Levar assistência para dentro da casa do paciente representa uma mudança profunda na forma de cuidar. O ambiente doméstico oferece características impossíveis de serem reproduzidas no hospital: proximidade da família, conforto emocional, continuidade da rotina e cuidado personalizado. É o paciente sendo tratado dentro do próprio mundo, cercado de vínculos afetivos e acolhimento.
Os benefícios são evidentes. O cuidado domiciliar melhora a qualidade de vida, reduz riscos de infecções hospitalares, diminui complicações e permite uma abordagem mais integral, considerando corpo, mente e ambiente familiar. O enfermeiro, nesse cenário, torna-se peça-chave para garantir segurança clínica, acompanhamento constante e suporte imediato à equipe médica.
Mas os desafios também são grandes. O profissional precisa compreender que a casa do paciente é, temporariamente, seu ambiente de trabalho. É necessário tomar decisões rápidas, possuir alto nível de conhecimento técnico e lidar com uma dinâmica familiar que nem sempre está preparada para participar do tratamento. A relação com os familiares exige empatia, firmeza e habilidade de comunicação, especialmente no acompanhamento de idosos e pacientes crônicos, que demandam atenção contínua.
Ao mesmo tempo, a tecnologia vem ampliando a capacidade da enfermagem de oferecer um atendimento mais eficiente e seguro. Prontuários eletrônicos, registros em tempo real, integração entre equipes, telemedicina e sistemas de monitoramento remoto já fazem parte da rotina de muitos profissionais. Essas ferramentas reduzem falhas, agilizam decisões e fortalecem a qualidade da assistência.
Valorizar a enfermagem, portanto, não é apenas reconhecer uma categoria profissional. É fortalecer a própria estrutura da saúde brasileira. Em qualquer nível de atendimento, da prevenção ao tratamento intensivo, existe um enfermeiro garantindo que o cuidado aconteça de forma organizada, humana e segura. Em tempos de transformação do setor, a sociedade precisa compreender que investir nesses profissionais é investir diretamente na vida, na dignidade e no futuro da saúde no Brasil.
*Sueli Noronha Kaiser é fundadora e presidente do Conselho Consultivo do Grupo Cene, com 39 anos de atuação. Enfermeira formada pela Pontifícia Universidade Católica-RJ.

