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Economia

Gran Life Medical Complex lançado em Anápolis.

Gran Life Medical Complex lançado em Anápolis. Foto: Divulgação

Foto: Divulgação Gran Life Medical Complex lançado em Anápolis. Gran Life Medical Complex lançado em Anápolis.

O avanço da população idosa no Brasil já começa a redesenhar cidades, serviços e o próprio mercado imobiliário. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Palmas possui 24.916 moradores com 60 anos ou mais, enquanto o Tocantins soma 184.099 idosos, o equivalente a 12,2% da população do estado. No cenário nacional, o país deve se tornar o quinto mais envelhecido do mundo até 2030, segundo projeções divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. Ao mesmo tempo, a chamada economia prateada já movimenta cerca de R$ 2 trilhões por ano no Brasil, de acordo com levantamento da consultoria Data8.

É nesse cenário que Palmas deve receber um empreendimento voltado ao público 60+, desenvolvido pela FAAU Arquitetura em parceria com a Bonna Incorporadora. A proposta reúne moradia, saúde, convivência e bem-estar em um mesmo espaço, seguindo uma tendência internacional conhecida como senior living, modelo pensado para estimular autonomia, integração social e envelhecimento ativo.

O projeto prevê cerca de 120 apartamentos e mais de 5 mil metros quadrados de áreas integradas dedicadas a serviços, lazer e saúde. A estrutura deve incluir ambientes voltados à convivência, atividades físicas, acompanhamento de bem-estar, jardins terapêuticos e espaços multiuso, em uma lógica que aproxima moradia e cuidado cotidiano. A iniciativa também surge em um momento em que o Brasil enfrenta déficit superior a 100 mil moradias voltadas ao público sênior.

Mais do que criar um espaço residencial, o conceito busca responder a uma mudança no perfil da população idosa brasileira. A geração que hoje chega aos 60 anos mantém rotina ativa, vida social intensa e demanda estruturas mais conectadas à cidade e à autonomia individual. A proposta aposta em um modelo de convivência voltado à permanência ativa das pessoas na vida urbana, estimulando integração social, troca de experiências e bem-estar contínuo.

Para o CEO da FAAU Arquitetura, Marcello A. Almeida, o envelhecimento precisa deixar de ser tratado apenas como pauta da saúde e passar a ocupar espaço central no planejamento urbano das cidades. “O verdadeiro luxo não está mais apenas na estética ou no patrimônio, mas na possibilidade de continuar vivendo com autonomia, propósito e troca humana. O projeto em Palmas não propõe que as pessoas de 60+ se retirem da sociedade, mas que ocupem o centro dela, em um ambiente que utiliza a engenharia e a medicina para potencializar a vida humana. Queremos criar um espaço onde as pessoas continuem convivendo, ensinando, compartilhando experiências e construindo conexões reais”, afirma.

Segundo Marcello A. Almeida, a longevidade já começa a transformar a forma como as cidades serão desenhadas nos próximos anos. “Minha visão é que o verdadeiro luxo está em nunca parar de evoluir. Não estamos criando um lugar para as pessoas se desconectarem do mundo, mas um espaço onde elas possam continuar participando da vida social, sendo ouvidas, compartilhando conhecimento e vivendo de forma ativa. As cidades precisarão acompanhar essa transformação”, destaca.

O conceito do empreendimento também se inspira na ideia de “ocara”, palavra de origem tupi-guarani que representa o espaço central das aldeias indígenas, onde acontecem encontros, decisões e atividades coletivas. A proposta utiliza essa lógica de centralidade social para criar ambientes voltados ao convívio, à circulação e à permanência ativa das pessoas na vida urbana. A chegada do projeto a Palmas marca a parceria entre a FAAU Arquitetura e a Bonna Incorporadora em um modelo que busca aproximar urbanismo, saúde e convivência dentro de uma mesma estrutura voltada à população 60+. (Precisa/AI)