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Cotidiano

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Foto: Arquivo/Agência Brasil

A sensação de insegurança tem sido apontada entre as principais preocupações das brasileiras e brasileiros, influenciado comportamentos, opinião e voto. Um novo estudo encomendado pelo Instituto Sou da Paz traz uma leitura mais detalhada dessa realidade e mostra que, embora discursos duros e propostas simplistas e ineficazes repetidas há décadas ainda apareçam com força no debate público e nas redes sociais, essa percepção não é majoritária e nem homogênea. A partir de um teste de mensagens inédito em estudos quantitativos, a pesquisa revela que a maioria silenciosa que defende propostas que priorizam eficiência, prevenção, uso de tecnologia e respeito à lei. As descobertas apontam para uma sociedade que rejeita abordagens violentas e simplistas, ampliando o espaço para um debate público mais qualificado e baseado em evidências.

O estudo revela que, apesar de muito repetida, a frase “bandido bom é bandido morto” não encontra adesão ampla na sociedade, apenas 20% concordam com essa frase. Por outro lado, 73% acreditam que os criminosos devem ser julgados e presos pelos seus crimes. A maior parte da população (55%) acredita que o País precisa aplicar as leis já existentes a todos os criminosos, enquanto apenas uma parcela (39%) acredita na necessidade do aumento das penas. Outro achado do estudo revela que 77% entendem que armas legalmente compradas também podem ser utilizadas em atos violentos quando são roubadas e vão para o mercado ilegal e 73% afirmam que ter mais armas em circulação gera mais violência. Sobre atuação policial, 82% são favoráveis ao uso de câmeras corporais como tecnologias protetivas e 65% acredita que “é preciso uma polícia melhor e mais preparada”.

Fonte: Instituto Sou da Paz/OMA Pesquisa

A pesquisa foi conduzida pela Oma Pesquisa, especializada na análise de percepções e comportamento, com metodologias rigorosas e abordagem integrada, a pedido do Instituto Sou da Paz. O estudo foi realizado entre novembro e dezembro de 2025, com abrangência nacional, e contou com 1.115 entrevistas presenciais, pessoais e domiciliares.

“Os dados mostram que as frases de efeito antigamente mais famosas na segurança pública já não ressoam mais na população. A sociedade brasileira está cansada de promessas antiquadas e deseja outras formas de pensar esse tema, para além dos radicalismos cristalizados que não têm trazido resultados reais no dia a dia das pessoas. Há uma maioria silenciosa que busca resultados e eficácia, por isso apoia novas ideias sobre a segurança pública”, diz Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz.

Como a segurança é percebida pela população brasileira

O medo de sofrer algum tipo de violência fez com que 57% da população mudasse sua rotina. A pesquisa demonstra que 94% dos brasileiros reconhecem algum grau de violência na cidade onde vivem. Porém, quanto mais perto de casa, maior é a sensação de segurança da população: apenas 32% das pessoas se sentem seguras na cidade onde moram, frente a 47% que possuem uma boa percepção de segurança em seus bairros e 59% que se dizem seguros em suas ruas.

A sensação de insegurança é predominante no Brasil, independente de renda ou idade. No entanto, as mulheres apresentam níveis mais altos de preocupação; 74% delas se sentem inseguras nas cidades. Além disso, 83% das pessoas identificaram a violência contra a mulher presente em suas cidades, o que demonstra que a violência de gênero deve ter papel central nas discussões sobre segurança pública no País.

Além da questão da insegurança para o público feminino, a pesquisa identificou que os roubos são os crimes mais relatados como frequentes. 91% dos participantes disseram que é algo vivenciado em suas cidades, sendo que 89% disseram que o roubo de celular é um crime frequente. Foi percebido que as pessoas não fazem distinção entre roubo e furto, o impacto maior na população está na sensação de vulnerabilidade que esses crimes causam.

Tipos de violência na cidade onde mora

Fonte: Instituto Sou da Paz/OMA Pesquisa

Uma estratégia comum entre políticos é apostar no aumento do policiamento ostensivo para tentar sanar a percepção negativa em relação à segurança, porém apenas 32% das pessoas acreditam que aumentar o efetivo policial nas ruas melhora a segurança, já 65% acreditam que é necessário uma polícia mais preparada para mudar o cenário de violência no País. Ademais, 82% defendem o uso de câmeras corporais, entendendo que ela protege tanto a população quanto os bons policiais.

Os dados sobre a percepção de violência nas cidades permitem dizer que o medo está menos associado a crimes letais isolados e mais à sensação da presença armada, especialmente nos espaços públicos. As armas de fogo também são identificadas como um risco à vida, 60% da população são contrárias a ter acesso a armas de fogo em casa, sendo essa rejeição ainda maior entre mulheres (69%).

“Não podemos encarar a violência apenas como dados estatísticos, ela é um fenômeno que atravessa e interfere no cotidiano das pessoas. O medo sentido por causa desse cenário é legítimo e a pesquisa mostra que a população não aceita mais respostas simplistas e punitivistas para as suas dores, comenta Carolina. “O Sou da Paz está preparando uma agenda de propostas que dialogam com esse anseio, destacando ações pragmáticas e eficientes para alimentar um debate mais realista e racional para transformar a segurança”.

Agenda eleitoral

O Instituto Sou da Paz defende que o eleitorado e candidaturas precisam se apoiar em propostas baseadas em evidências, legalidade e justiça. A agenda apresentada pela organização busca orientar esse debate, destacando o papel central dos governos estaduais, responsáveis pelas polícias e pelas políticas de segurança, e também do governo federal, que atua na coordenação, financiamento e fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública. Para transformar a segurança pública nos próximos anos, o documento aponta cinco prioridades: proteger meninas e mulheres, fortalecer polícias mais preparadas e valorizadas, enfrentar o crime organizado, reduzir roubos e retirar armas ilegais de circulação. O material será lançado nas próximas semanas e entregue a candidaturas.

Sobre o Instituto Sou da Paz

O Instituto Sou da Paz é uma organização da sociedade civil que nasceu da mobilização pública e que existe há 26 anos com o objetivo de contribuir para a efetivação de políticas públicas de segurança e prevenção da violência, pautadas por valores de democracia, justiça social e direitos humanos. Atuamos por meio da mobilização da sociedade e do Estado, bem como pela difusão de práticas inovadoras nessa área. As ações são pautadas por três eixos: pesquisa na área de segurança pública, desenvolvimento de propostas de políticas públicas e mobilização do público amplo e de tomadores de decisão.

Sobre a Oma Pesquisa

A OMA Pesquisa é uma empresa especializada na análise de opinião pública, comportamento e percepções de cidadãos e consumidores no Brasil e na América Latina. Com abordagem integrada e metodologias rigorosas, desenvolve estudos e diagnósticos estratégicos personalizados para apoiar decisões em políticas públicas, comunicação e mercado. Liderada pela socióloga Marisol Recaman, combina experiência, inovação e confidencialidade na produção de conhecimento aplicado.