Doenças e traumas ortopédicos estão entre as principais causas de dor e limitação funcional em cães, especialmente em animais idosos, obesos ou de raças predispostas geneticamente. Em muitos casos, esses problemas surgem de forma progressiva e silenciosa, o que leva os responsáveis a demorarem para perceber os sinais de que existe uma lesão que precisa ser investigada e tratada.
“Os animais tendem a mascarar a dor. É preciso observar pequenas mudanças de comportamento que, embora costumem ser consideradas algo natural, são, na verdade, um pedido de ajuda”, explica Rafael Boccia, especialista do Veros Hospital Veterinário. O veterinário recomenda atenção às seguintes alterações nas atitudes cotidianas dos pets:
- Claudicação (manqueira) ou dificuldade para apoiar uma das patas no chão
- Relutância para correr, brincar ou subir em lugares altos
- Dificuldade para levantar
- Gemidos ou vocalização ao se movimentar
- Tremores ou sensibilidade ao toque
- Redução das atividades habituais e aumento do tempo que passa dormindo;
- Alterações de postura
- Rigidez ao acordar
- Quedas frequentes ou perda de equilíbrio
- Mudanças repentinas de humor ou lambedura excessiva de uma articulação específica
Quanto mais cedo acontecer o diagnóstico, maiores são as chances de recuperação e de preservação da autonomia e qualidade de vida, pois é possível evitar dor crônica, perda de mobilidade e complicações mais graves. Conhecer as principais doenças ortopédicas também ajuda na hora de identificar a necessidade de levar o pet a uma consulta veterinária. São elas:
Ruptura de ligamento
Os ligamentos funcionam como estruturas de sustentação das articulações. Uma das lesões mais comuns é a ruptura do ligamento cruzado cranial — conhecido popularmente como ligamento cruzado do joelho — que pode ocorrer após saltos, corridas bruscas ou desgaste progressivo da articulação. Estudos apontam que esta é a doença mais frequente em pets idosos, obesos e de grande porte, além de apresentar predisposição genética em determinadas raças. Entre as mais associadas ao problema estão Rottweiler, Labrador Retriever, Cane Corso, Chow Chow, Bullmastiff, Newfoundland e Bulldog Inglês. “A ruptura deste ligamento traz dor intensa e dificuldade para caminhar com os membros posteriores. Ela é uma das principais causas de artrose em cães e pode evoluir rapidamente para degeneração articular se não for tratada adequadamente”, afirma Boccia.
Luxação de patela
Ocorre quando a patela — pequeno osso localizado na parte da frente do joelho, antigamente chamado de rótula — sai da posição correta durante os movimentos. O problema está associado a alterações no alinhamento da articulação do joelho, muitas vezes congênitas, afetando cães de pequeno porte, como Poodle, Chihuahua, Yorkshire, Shih-tzu e Spitz Alemão. Também pode surgir após quedas, impactos ou outros traumas. “Como o pet claudica por alguns segundos e, depois, volta a andar normalmente, o responsável acha que é algo passageiro. Episódios repetidos indicam instabilidade articular e precisam de avaliação veterinária, pois causam dor, desgaste da articulação e podem levar ao desenvolvimento de artrose”, alerta Boccia.
Hérnia de disco
A hérnia de disco ocorre quando um dos discos localizados entre as vértebras comprime a medula espinhal. O problema é comum em raças como Dachshund, Bulldog Francês e Basset Hound. Sinais como relutância para se movimentar, postura curvada e vocalização de dor devem ser investigados rapidamente. O pet também pode apresentar perda de coordenação motora e, em casos graves, paralisia das patas.
Displasia coxofemoral
Mais comum em cães de grande porte, como Labrador, Golden Retriever e Pastor Alemão, a displasia coxofemoral é uma alteração no encaixe da articulação do quadril. “O atrito anormal causa desgaste progressivo da cartilagem, gerando instabilidade, inflamação, dor e dificuldade de locomoção. O pet pode demonstrar dificuldade para levantar ou evitar apoiar totalmente as patas traseiras devido à dor”, diz .
Artrose
Também chamada de osteoartrite, a artrose é uma doença crônica e progressiva causada pelo desgaste das articulações. Pode surgir com o envelhecimento ou como consequência de outras alterações ortopédicas, como ruptura de ligamento cruzado, displasia coxofemoral e traumas. De acordo com o Colégio Americano de Cirurgiões Veterinários, a artrose atinge 20% da população canina adulta e 80% dos cães com mais de 8 anos.
Fraturas
Quedas, atropelamentos e brigas estão entre as principais causas de fraturas em pets. Os sinais incluem dor intensa, inchaço, dificuldade de locomoção e deformidade no membro afetado. “Nunca se deve tentar alinhar o osso em casa. O ideal é restringir a movimentação do animal e procurar atendimento veterinário imediatamente”, orienta Boccia.
Como prevenir traumas e lesões ortopédicas
Algumas medidas ajudam a reduzir os riscos de traumas e doenças articulares. “É importante manter o peso adequado, com alimentação saudável e atividade física regular, assim como realizar check-ups veterinários periódicos, especialmente em pets idosos e raças predispostas”, aconselha Boccia. Para evitar acidentes, é importante instalar telas de proteção em janelas e varandas, utilizar coleira e guia durante os passeios e manter objetos pesados e fios elétricos fora do alcance.

