O Tocantins começou 2026 com números positivos para o empreendedorismo. Dados da Junta Comercial do Estado do Tocantins (Jucetins) mostram crescimento de 20,67% na abertura de empresas em janeiro, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Atualmente, o estado soma 236.188 empresas ativas, com destaque para os setores de serviços, comércio e agronegócio.
Em meio a esse cenário de expansão, especialistas chamam atenção para um tema que costuma ficar em segundo plano: a organização da sucessão empresarial. À medida que as empresas crescem, acumulam patrimônio e envolvem mais integrantes da família na operação, aumenta também a necessidade de estabelecer regras claras sobre gestão, tomada de decisões e continuidade do negócio.
Embora o assunto seja frequentemente associado à herança, o planejamento sucessório vai além da transferência de bens. Na prática, ele envolve a definição de mecanismos que ajudam a organizar a administração da empresa, a participação dos familiares e a proteção do patrimônio construído ao longo dos anos, reduzindo riscos que podem comprometer a estabilidade do negócio no futuro.
Segundo o especialista Alex Coimbra, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Patrimonial e Sucessório, um dos desafios é que muitas empresas familiares ainda funcionam com base em acordos informais. “É comum encontrarmos negócios bem estruturados financeiramente, mas sem regras formalizadas sobre governança, participação societária ou sucessão. Enquanto a empresa é menor, isso pode passar despercebido, mas o crescimento costuma trazer situações mais complexas que exigem planejamento”, explica.
Ferramentas como holdings familiares, acordos societários e protocolos de governança são algumas das alternativas utilizadas para estruturar esse processo. Além de organizar questões patrimoniais, esses instrumentos ajudam a definir responsabilidades, estabelecer critérios para a entrada de familiares na gestão e criar mecanismos para a resolução de conflitos.
Para o especialista, discutir sucessão não significa apenas planejar eventos futuros, mas fortalecer a empresa no presente. “Quando existe uma estrutura bem definida, o negócio ganha mais segurança para crescer, investir e atravessar mudanças sem comprometer sua continuidade. O planejamento sucessório deve ser encarado como uma estratégia de gestão e não apenas como uma questão patrimonial”, orienta. (Precisa/AI)

