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Economia

Foto: Shutterstock

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Depois da inflação de 10,67% em 2015 – maior percentual desde 2012 – é preciso cortar gastos para não correr o risco de ficar no vermelho, precisar recorrer a crédito ou acabar no endividamento em 2016. De acordo com um estudo do Instituto Data Popular, 91% dos brasileiros reduziram o consumo em 2015 e culpam, além da inflação, o aumento do desemprego, também em consequência da crise econômica. Para 55% dos entrevistados, esta é a pior crise que o País já vivenciou.

Mas será tão simples assim cortar gastos? É preciso lembrar que, além de manter o controle financeiro em dia, será necessária uma mudança de hábitos de consumo, principalmente com os gastos no dia a dia.

Sabendo diferenciar o que é extremamente necessário dos supérfluos e, principalmente, reaproveitando para não desperdiçar, é possível driblar o fantasma da inflação. “Este é um momento para sermos criativas”, ressalta Carolina Herszenhut, empreendedora especialista em economia criativa.

De acordo com o economista especialista em gestão financeira e professor da IBE-FGV, Cleber Zanetti, não é preciso colocar o lazer na lista de supérfluos e passar o ano sem se divertir para economizar. “Você trabalha justamente para ter conforto e se divertir, não é preciso abrir mão completamente de tudo isso. Só é preciso encontrar opções mais baratas e fugir dos exageros”, explica.

Com estas e outras dicas dos especialistas, montamos um guia com soluções práticas para tentar evitar os impactos da inflação nos seus gastos domésticos.

1. Faça compras compartilhadas

Segundo Zanetti, uma solução para famílias é fazer as compras do mês em supermercados que vendem por atacado. Pode ser em parceria com a vizinha, com seus irmãos, etc. O importante é ter outro grupo familiar para compartilhar os produtos e, é claro, a conta.

“Não chegou a ponto de comprar para fazer estoque, talvez somente de produtos de limpeza ou que tem, em geral, um prazo de validade maior”, explica o economista. “O foco é compartilhar os gastos com o supermercado”.

Para Carolina, este pode ser um exercício para começar a pensar de forma mais colaborativa e econômica no dia a dia. “Acho importante pensar como podemos ajudar uns aos outros, seja com compras conjuntas em atacados de alimentos, seja com caronas para economia de combustível. Pensar de que maneira podemos obter produtos e serviços através de trocas”, diz.

2. Ou compre aos poucos

Para quem não vê as compras de atacado como uma solução prática, o jeito é aproveitar ao máximo as promoções no supermercado. Para isso, é importante organizar sua agenda para mais dias de compras. “Claro que isso requer tempo para ir ao mercado muitas vezes ao mês. Mas é possível economizar muito indo em diferentes locais e aproveitando os dias da semana. Sabemos, por exemplo, que bebidas e carnes sempre aumentam nos fins de semana”, diz Carolina.

Para Zanetti, as feiras semanais e hortifrútis continuam sendo opção mesmo em tempos de inflação. “Em média, os preços costumam ser mais acessíveis que no supermercado”, explica.

3. Reaproveite ao máximo na cozinha

Segundo Carolina, uma forma de reduzir os gastos com a lista de supermercado é repensar seu cardápio diário. “Pensar ou criar novas receitas, principalmente aquelas que podem ser feitas com alimentos mais baratos. Acima de tudo, não desperdiçar, pois a carne que sobrou hoje sempre pode compor uma nova a receita amanhã”, aconselha.

4. Diminua o uso do carro

A utilização do carro pode ser mais prática e até mais independente para você, mas se os gastos com a manutenção e a gasolina (que tendem a subir junto com a inflação) têm atrapalhado suas finanças, hora de repensar até mesmo seus meios de transporte.

Coloque seus gastos na ponta do lápis e compare com os gastos com transporte público. Se a segunda opção compensar mais, hora de deixar o carro na garagem nos dias de semana. “E para aqueles que têm disposição e vivem em cidades com ciclovias, acho que deveriam aderir ao uso da bicicleta. Pois além de ser um transporte gratuito, a pessoa economiza com o dinheiro da academia”, aconselha Carolina.

5. Use a tecnologia para se comunicar em família

Para Zanetti, precisando ou não driblar a inflação, substituir o telefone fixo pelo móvel acaba sendo mais econômico no dia a dia. “Para quem não tem escritório ou necessidade de ter um fixo, investir em um bom celular para comunicação diária acaba sendo mais econômico”, explica o especialista.

Com um smartphone, fica mais fácil utilizar aplicativos que facilitam a comunicação com a família e de forma gratuita. “O Whatsapp já proporciona isso e agora a empresa anunciou que não vai mais cobrar adesão”, informa Zanetti.

Ele recomenda ainda que cada membro da família tenha uma linha com contas separadas, seja para pós ou pré-pagas. Desconfie dos planos de compartilhamento em família que as operadoras oferecem, principalmente como opção mais econômica em tempos de inflação.

“Esta questão deve ser analisada, mas, a princípio, o plano individual é mais em conta do que o plano coletivo, embora as operadoras digam o contrário. Além disso, com os gastos da família reunidos em uma só fatura, é mais fácil de acontecer cobrança indevida e mais difícil de detecta-la para pedir correção”, alerta.

6. Não abra mão do lazer

“Mesmo com as crises, os shoppings nunca estiveram de fato vazios. As famílias estão passeando, mas isso não quer dizer que estejam gastando”, observa Zanetti.

Para ele, outros roteiros podem ser mais econômicos que as vitrines dos shoppings. “Visita a algum parque na cidade, exposições de arte, roteiros de verão para crianças, muitas dessas atividades são mais baratas ou até gratuitas e mais divertidas”, argumenta.