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Opinião

Grandes expectativas marcam a entrada de 2026 no Brasil e no mundo. Enquanto a efervescência da geopolítica desenha novos rumos para os blocos econômicos e para os países individualmente, no Brasil os olhares se voltam para os encaminhamentos do inédito acordo Mercosul-União Europeia, assim como para as eleições majoritárias em curso e para questões pontuais como as novas diretrizes vindas da Reforma Tributária que entra em ano-teste. 

Em paralelo a tudo isso, a indústria brasileira de Nãotecidos e Tecidos Técnicos ainda convive com desafios que impactam seus investimentos e competitividade. O aumento significativo das importações de Nãotecidos, Tecidos Técnicos e de produtos acabados, as medidas protetivas envolvendo as matérias primas e o já conhecido Custo Brasil que não retrocede - variação cambial, dificuldade de acesso ao crédito, defasagem de infraestrutura logística, burocracia em torno de importação de maquinário e equipamentos - impactam diretamente as mais de 100 indústrias que atuam no país, empregando mais de 17 mil pessoas e produzindo mais de 300 mil toneladas/ano. 

Mesmo com um investimento de mais de R$ 600 milhões nos últimos cinco anos para atender setores estratégicos como automotivo, construção e infraestrutura, higiene pessoal, médico hospitalar e agricultura, em 2025 o volume de importações continuou crescendo, fechando o ano com uma alta de 28% em relação a 2024. Produtos vindos da China e de outras origens, algumas das quais contando com subsídios e outras condições especiais que reduzem artificialmente os custos de produção, não cumprindo requisitos de qualidade, ou até mesmo sob suspeita de dumping, respondem por mais de 80% desse volume, e o preço médio do Nãotecido importado foi o menor dos últimos cinco anos. Já as exportações tiveram uma queda de 12,52% em relação a 2024 (22,9 mil toneladas em 2024 para 20 mil toneladas em 2025), o que reflete a atuação predatória também fora do Brasil. Com a perda de competitividade dentro e fora do país, já se registram empresas relevantes e tradicionais do setor em processo de recuperação judicial.

Neste cenário, a Associação Brasileira das Indústrias de Nãotecido e Tecidos Técnicos (ABINT) e seus comitês, o CTG (Comitê Técnico de Geossintéticos) e o CTH (Comitê Técnico Médico-Hospitalar), ganham expressividade no mercado pelo constante apoio ao desenvolvimento da indústria nacional.

A entidade tem atuado fortemente em importantes pleitos de defesa comercial, visando maior proteção do mercado nacional de Nãotecidos e Tecidos Técnicos. Da mesma forma, trabalha pelo desenvolvimento da cadeia de valor e sua aproximação ao Governo Federal no âmbito da Nova Indústria Brasil, busca incrementar a inovação no setor de Têxteis Técnicos brasileiro. 

Ao mesmo tempo, a ABINT e seus Comitês realizam um trabalho árduo de divulgação da qualidade e dos benefícios dos Nãotecidos e Tecidos Técnicos nas diversas aplicações. No último ano, promoveram cursos de treinamento e capacitação (Curso ABINT Tecnologia dos Nãotecidos; Curso Brasileiro de Instalação de Geomembranas; Workshop “Qualidade de Geossintéticos Aplicados em Aterros Sanitários”); desenvolveram e revisaram material técnico visando eficiência e qualidade em aplicações (lançamento do Manual CTG ABINT Brasil para Compradores, lançamento de 10 novas cartilhas do Ciclo de Qualidade CTG ABINT; início da revisão do livro “Manual Brasileiro de Geossintéticos (MBG)” para lançamento da 3ª edição); trabalharam no âmbito de Normas Técnicas (revisão e publicação, por parte do CTH ABINT,  da ABNT NBR 14990-6 - Sistemas e materiais de embalagem para esterilização de produtos para saúde - Parte 6: Nãotecidos; participação ativa no desenvolvimento de normas, e em reunião do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio). 

Outra frente de atuação da ABINT e de seus Comitês é a aproximação de entidades parceiras em ações de interesse, tais como Abiplast, Abrafiltros, FIESP/CIESP, Senai, IGS Brasil, ABMS, AESabesp, SOBECC e outras, que participam dos desafios de fomentar o desenvolvimento socioeconômico do país. 

Em 2025, participaram do Comitê de Têxteis Técnicos da ABIT, grupo criado para fomento da produção e desenvolvimento desse setor no Brasil, com consequente aproximação com outras entidades e instituições de ensino. A ABINT também se tornou signatária da Liga de Descarbonização, iniciativa da ABIT. 

Em 2026, as ações de promoção da eficiência e qualidade dos Nãotecidos e Tecidos Técnicos continuam, mas a busca por competitividade vai além. Os nãotecidos e tecidos técnicos são componentes estratégicos tanto nos períodos de crise - quando não podem faltar - quanto em ciclos de crescimento, nos quais contribuem para a eficácia e a eficiência dos investimentos. É o caso dos geossintéticos, por exemplo, que reduzem os custos de manutenção e ampliam a vida útil das construções — benefícios essenciais em um momento em que o Brasil vive um dos maiores ciclos de mobilização de capital privado de sua história em infraestrutura. No setor de saneamento, leilões já movimentaram cerca de R$ 88,6 bilhões em investimentos programados até 2026. Em rodovias e ferrovias, o país deve registrar um recorde de leilões, com estimativa de aproximadamente R$ 161 bilhões alocados em 2025, incluindo mais de 8,4 mil quilômetros de trechos concedidos à iniciativa privada. No total, são previstos mais de R$ 250 bilhões em investimentos privados em concessões, privatizações e parcerias público-privadas, abrangendo saneamento, rodovias, ferrovias e portos, o que reforça o papel decisivo do direcionamento educacional, da normatização técnica e da produção de materiais de referência para assegurar a qualidade e a longevidade dessas obras. 

Este é apenas um exemplo, entre muitos, da importância de garantir a manutenção e a qualidade do abastecimento local de produtos tão fundamentais para a saúde, segurança e conveniência dos brasileiros. 

A competitividade da indústria local – de natureza altamente formalizada - pede pela modernização da sua base de ativos para que siga garantindo emprego e divisas ao país e isso reque que os olhares dos setores governamentais ligados à indústria e ao desenvolvimento estejam voltados a apoiar toda essa cadeia de valor.

*Mateus Mesquita Inacio é presidente da ABINT.