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Cultura

Foto: Divulgação

Contemplado com o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015, o espetáculo contemporâneo infanto juvenil "Guia Improvável Para Corpos Mutantes" chega a Palmas para duas apresentações gratuitas, dentro da circulação nacional que abrange cinco brasileiras. As apresentações acontecem nos dias 16 de setembro, às 15 horas, e 17 de setembro, às 16 horas, no Theatro Fernanda Montenegro (Área Verde da Quadra 202 Sul, Av. Teotônio Segurado, s/n, Espaço Cultural José Gomes Sobrinho).

Após a apresentação do segundo dia, o grupo promove um bate papo com o público com o bailarino Fernando Faleiro como convidado, professor da Escola de Belas Artes. A Escola de Belas Artes de Palmas é uma instituição voltada para o ensino da dança para alunos matriculados no ensino formal do município de Palmas. Trata-se de um projeto continuado, que vem sendo concebido e realizado pela Prefeitura de Palmas, através da Secretaria Municipal de Educação e parceiros.

Na ocasião, será lançado o CD com a trilha sonora do espetáculo, assinada por Gustavo Finkler, música instrumental que inclui funks, sambas, rocks e toadas. A ideia de produzir um CD com a trilha surgiu a partir do feedback do público. “Um processo que não quis ser ilustrativo das coreografias, cenas ou gestos. As músicas eram criadas para 'conversarem' com as danças e não apenas as traduzirem. E às vezes eram até embaralhadas. Numa espécie de jogo.”, explica Tomazzoni.

Criação de um coletivo de artistas (Diego Esteves, Fernanda Boff, Kalisy Cabeda, Karenina de los Santos e Douglas Jung) de Porto Alegre (Rio Grande do Sul), a coreografia dirigida por Airton Tomazzoni é voltada para crianças a partir dos cinco anos, e tem duração de 45 minutos.

A turnê, que já passou por Porto Alegre e Salvador, segue para Recife (PE), Fortaleza e Sobral (CE). Em 2015, o grupo circulou pelo interior do Estado gaúcho, passando por 12 municípios, dentro do programa O Boticário na Dança. 

A coreografia parte da ideia de manuais e guias com orientações usuais na esfera educacional e artística para jogar com os sentidos e criar um universo imaginário e lúdico. Desta maneira, um grupo de bailarinos coloca em dúvida o corpo, suas partes e sua funcionalidade em cenas que buscam redescobrir as possibilidades desse corpo modificar-se por si só, em seus arranjos e configurações, bem com o uso de artifícios simples (vestimentas, objetos) ou recursos tecnológicos cada vez mais usuais como os tablets.

A montagem também investiu no jogo com referências em escolas artísticas como o cubismo e a Bauhaus, permitindo redimensionar as regras de funcionalidade do corpo e do seu uso. Nasceram daí cenas poéticas como Valsa para um rosto multifacetado. A trilha sonora especialmente criada por Gustavo Finkler, do Grupo Cuidado que Mancha, buscou também brincar com as mutações sonoras de estilos e gêneros num mosaico animado e sensível.

O projeto é uma forte referência na produção de dança para o público infanto-juvenil em Porto Alegre por meio de uma pesquisa de linguagem que teve início em 2010 com a criação do espetáculo Faz de conta, dirigido por Tomazzoni para o Grupo Experimental de Dança de Porto Alegre. A partir dessa montagem, um núcleo de artistas passou a investir na investigação do universo infantil. Contemplado com uma bolsa de pesquisa do Rumos Itaú Cultural, o Guia teve sua pré-estreia na Mostra Rumos Dança Itaú Cultural, em 2013, com a montagem ainda em processo, apresentando o resultado da pesquisa. No mesmo ano, com a versão finalizada, o espetáculo teve sua estreia em São Paulo, amparado pelo Prêmio Klauss Vianna da Funarte. Já foi apresentado também em São Carlos, Santos, Sorocaba e São Paulo/SP; Ipatinga e Belo Horizonte/MG, Garanhuns/PE e em algumas cidades do Uruguai.