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Saúde

Foto: Divulgação/Governo do Tocantins Tocantins conta com 44 comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares Tocantins conta com 44 comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares
  • Comunidade quilombola Lagoa da Pedra, em Arraias

Apesar de estarem nos grupos prioritários da fila de vacinação contra o novo coronavírus (SarsCov 2), os povos e comunidades tradicionais quilombolas do Tocantins não são mencionados em nenhuma das fases do Plano Estadual de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19.

O Plano, aliás, não apresenta fases definidas, bem como quais grupos seriam vacinadas em cada uma delas. O documento estadual informa que os grupos prioritários serão atendidos “de acordo com as fases de vacinação previstos inicialmente pelo Ministério da Saúde”.

Entretanto, o Plano Nacional de Imunização também não define em qual fase da campanha essas comunidades deverão ser vacinadas. O que deixa os moradores dos quilombos na expectativa de quando vão receber a vacina. “Aqui na comunidade nós estamos fechados. Ninguém entra no quilombo. Ficamos apreensivos porque em um distrito próximo daqui foram confirmados 6 casos de covid, sendo que 4 ainda estão ativos, mas aqui no quilombo nenhum até agora, porque estamos isolados mesmo. A comunidade está na expectativa de receber a vacina, ainda não sabemos quando”, disse Ruimar Antônio Farias que é morador e agente de saúde no quilombo Lagoa da Pedra, localizado a 420 km de Palmas e a 35 km da cidade de Arraias, na região Sudeste do estado.

 A vantagem do Plano Estadual com relação ao Nacional é que o documento do estado define ao menos a quantidade de pessoas quilombolas que deverão ser vacinadas no Tocantins – são 6.551, de acordo com o plano.

O documento cita ainda que a vacinação de povos e comunidades tradicionais quilombolas  deverá ser realizada por meio de estratégias específicas a serem planejadas no nível municipal,  sendo que em  algumas regiões haverá apoio da Operação Gota - estratégia do Ministério da Saúde desenvolvida para vacinar pessoas em locais de difícil acesso na região Norte do país.

O painel Integra Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde (SES), passou a especificar nesta segunda-feira, 22, entre outros detalhes, o número de doses aplicadas por grupo prioritário. Dentre eles estão trabalhadores de saúde, idosos, indígenas, pessoas com mais de 60 anos institucionalizadas, portadores de comorbidades, forças de segurança e salvamento, trabalhadores da educação e pessoas com deficiência.

Como é possível perceber no detalhamento, nenhuma pessoa quilombola foi vacinada até o momento no Tocantins. Sem um calendário de vacinação específico, Ruimar explica que as quase 50 famílias do quilombo Lagoa da Pedra estão seguindo as fases que já foram divulgadas até o momento, ou seja, idosos e trabalhadores da saúde que moram na comunidade podem se vacinar. “Só temos uma senhora aqui com mais de 80 anos, ela pode tomar a vacina, mas ainda não recebeu a dose porque não teve como levar ela até a Canabrava [local do posto de saúde mais próximo]. Eu, como trabalho na saúde, fui o único que recebeu a 1ª dose da vacina aqui na comunidade. Os idosos com mais de 70 estão aguardando o início da 2ª fase de vacinação”, explicou.

O problema de seguir esse cronograma é que as pessoas mais jovens que vivem nos quilombos, e também são do grupo prioritário, não podem tomar a vacina. Além disso, há o problema do deslocamento, uma vez que essas pessoas precisam sair da comunidade para se vacinar em algum outro local, expondo-se ao risco de contaminação.

O Conexão Tocantins solicitou informações da SES a respeito da previsão de vacinação dos povos e comunidades quilombolas no Tocantins. Aguardamos a resposta.