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Foto: Divulgação

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O Brasil exportou neste ano, em onze meses, 1,7 milhão de toneladas de carne bovina,  9,4% abaixo em comparação com o mesmo período de 2020, mas com faturamento de US$ 8,5 bilhões, 10% maior do que no ano passado. O ano ainda termina com pouco mais de 6,5 milhões de cabeças confinadas. Mas o segmento também sofreu, com altos custos de produção, mercado interno deprimido e o embargo determinado pela China em setembro, por conta de dois casos do ‘Mal da Vaca Louca’, em Mato Grosso e Minas Gerais, que só foi levantado nesta semana.

Foi uma notícia boa demais para fechar 2021. Pequim retomou as importações de produtos brasileiros de carne bovina desossada de animais com menos de 30 meses, de acordo com documento publicado pela Administração Geral das Alfândegas. A proibição de exportação de carne bovina brasileira causou preocupação generalizada, pois a China obtém cerca de 40% de todas as suas importações da proteína no Brasil. Os governos dos dois países estavam em negociações para resolver o assunto, uma vez que o embargo reduziu praticamente pela metade os embarques brasileiros. As importações de carne bovina da China aumentaram nos últimos anos, alimentadas pela crescente demanda por carne de uma classe média cada vez mais abastada.

“A saída da China da compra da nossa carne causou um forte impacto no preço da arroba. É natural. Em 2020, eles compraram 870 mil toneladas. Em 2021, já haviam importado 716 mil toneladas. Todos achavam que a volta seria rápida, como em 2019, mas não foi isto que ocorreu. Porém, o mercado trabalhou forte no ajuste. E a oferta menor também ajudou a recuperação do preço da arroba”, avaliou Sérgio Ribas Moreira, Diretor do Serviço Brasileiro de Certificações (SBC), um dos mais respeitados especialistas desse mercado, com quase vinte anos de experiência em certificação na pecuária brasileira.

O executivo calculou o baque sofrido pelo setor nos últimos dois meses. “No ano passado, eles compraram 870 mil toneladas. Este ano, já haviam importado 716 mil toneladas. A diferença acumulada sobre o ano anterior já alcançava 260 mil toneladas, considerando também Hong Kong, um número absoluto que se aproxima dos outros três maiores compradores da proteína brasileira juntos: Estados Unidos, Europa e Chile”, revelou.

Pensando em 2022, o diretor do (SBC) mostrou um grande otimismo. Além dos chineses, os americanos se tornaram um parceiro ainda mais robusto, mais do que dobrando os volumes escoados. Sem falar na recuperação de antigos clientes, como a Rússia, e na conquista de novos parceiros, como a Indonésia.

“Há mais possibilidades interessantes em 2022, como a volta com mais força do exigente mercado europeu, a evolução nas vendas para os chilenos e uma recuperação mais vigorosa da economia internacional. O Chile, por exemplo, compra peças muito semelhantes às preferidas pela China, são diversos cortes. O que é interessante para escoarmos bem essa produção. A Europa compra cinco cortes no máximo, com valor agregado, podendo aumentar as importações em 2022. Neste caso, envolvendo a Certificação Sisbov (Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos)”, apontou.

E, na pecuária, o maior cliente do SBC são os confinadores, totalmente envolvidos com os mercados mais exigentes do exterior. Sérgio Ribas afirma que, em 2021, houve aumento de volume nas unidades de confinamento sobre 2020. Com grandes unidades crescendo, as pequenas parando e as médias tentando segurar o volume que vinham realizando. “Analisando nossa carteira, que vai fechar em torno de 2,5 milhões de cabeças rastreadas, sendo a maioria de confinamento, as perspectivas para o ano novo é que os custos continuem semelhantes a 2021. A previsão da soja é de ótima safra e do milho, também. Mas os demais insumos devem permanecer com os custos elevados para os confinadores. Neste caso, a solução é ganhar na eficiência, no uso de tecnologia, volume de compra, na negociação com os frigoríficos. Acredito no mercado com essas características. A não ser que algo diferente cause impacto, como algum problema sanitário grave etc.”, completou.

E se há algo de que os especialistas, Sérgio Ribas incluído, não têm dúvida é sobre a aceleração na demanda do mercado pela Certificação. “É uma exigência que não para de crescer. Visitamos a maior feira de alimentos do mundo neste ano, a Anuga, na Alemanha, e vimos inúmeros exemplos de informação que o consumidor mundial aprecia. E são compromissos que precisaremos firmar com os consumidores internacionais e brasileiros. Eles estão preocupados com a qualidade do alimento que vão ingerir, como são os processos, a história dos produtos. E o selo consegue transmitir essas informações. Falando especificamente da pecuária, vejo forte demanda para o bem-estar animal, as questões sociais nas propriedades e ambiental. Assim como a questão da produção primária com baixo carbono. Acredito muito nisso”, concluiu.