A Confederação Nacional do Agronegócio (CNA) divulgou nessa quinta-feira, 3, nota técnica em que diz ainda ser precipitado avaliar eventuais perdas para o Brasil com o anúncio das tarifas pelos Estados Unidos. "Visto que a alteração tarifária afeta todos os países do mundo, inclusive grandes exportadores de produtos agropecuários", considera. A tarifa base anunciada para o Brasil é de 10%.
De acordo com a Confederação, cabe o governo brasileiro seguir explorando a via negociadora com os EUA para buscar mitigar as tarifas anunciadas e alcançar benefícios mútuos para ambas as nações.
No entanto, a Confederação divulgou 19 produtos agropecuários com grau de exposição (impacto) "crítico" ou "alto". Entre os mais afetados estão o sebo bovino, com quase 88% das exportações voltadas aos EUA, e a madeira perfilada, com 75% da demanda concentrada naquele mercado. Em tabela também estão a carne bovina industrializada, sucos de laranja, café, e mais.
Alguns pontos destacados pela CNA em nota:
*Os EUA atualmente figuram como o terceiro principal destino dos produtos do agronegócio brasileiro, atrás apenas de China e União Europeia, e em 2024 respondeu por 7,4% da pauta brasileira no setor, atingindo a marca de US$ 12,1 bilhões.
*Ao longo dos últimos dez anos, a participação dos EUA na pauta exportadora do agronegócio brasileiro sempre figurou entre 6% e 7,5%. De acordo com a CNA, os dados evidenciam um mercado consolidado para os produtos brasileiros, que apresenta relativa previsibilidade do ponto de vista geral.
*Os produtos agropecuários respondem por cerca de 30% do total das exportações brasileiras aos EUA.
Brasil em posição melhor
A CNA analisa que apesar do acréscimo, o Brasil estará em uma posição melhor, se comparado aos casos em que os EUA importam produtos de mercados que contarão com taxas maiores, como é o caso dos bens da União Europeia que receberão sobretaxas de 20%.
"Antes do anúncio da medida, os produtos do agronegócio brasileiro contavam com alíquotas nominais médias de 3,9% do valor do produto. Com o acréscimo linear, estas taxas passarão à 13,9%, afetando a competitividade de artigos brasileiros".
Lei de Reciprocidade
Na análise da CNA, instrumentos de proteção para medidas retaliatórias e barreiras unilaterais, como é o caso da Lei de Reciprocidade, aprovada no Congresso e na iminente sanção presidencial, e que autoriza o Governo Federal a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros, só devem ser utilizados após o esgotamento dos canais diplomáticos.



