O Sindilojas-SP avalia que o IPCA de novembro, divulgado pelo IBGE, confirma a continuidade do processo de desinflação no País. O índice registrou alta de 0,18%, ritmo considerado comportado. Embora tenha havido leve aceleração frente a outubro (0,09%), o resultado está muito abaixo do observado em novembro de 2024 (0,39%).
Em 12 meses, o IPCA atingiu 4,46%, retornando ao teto da meta do Banco Central, 4,50%, pela primeira vez desde setembro de 2024. No acumulado do ano, o indicador soma 3,92%.
Fonte: IBGE/Elaboração: Sindilojas SP
O principal destaque do mês foi o grupo Alimentação e Bebidas, que registrou deflação de 0,01%. Entre os alimentos consumidos no domicílio, a queda foi ainda mais significativa, de 0,20%, marcando o sexto mês consecutivo de retração. Itens como tomate (-10,38%), leite longa vida (-4,98%) e arroz (-2,86%) puxaram o movimento.
Em direção contrária, o grupo Habitação avançou 0,52% em novembro. A pressão veio principalmente da energia elétrica residencial, que subiu 1,27% após reajustes aplicados em diversas unidades da federação.
O INPC, índice que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários-mínimos, também apresentou comportamento favorável. A variação de novembro foi de 0,03%, influenciada por uma queda ainda mais forte nos preços de alimentos para esse segmento. No acumulado de 12 meses, o indicador recuou para 4,18%.
Fonte: IBGE/Elaboração: Sindilojas SP
Para o Sindilojas-SP, o conjunto dos dados reforça que a economia brasileira segue em trajetória de desinflação, ainda que pontos de atenção persistam.
“A queda consistente dos preços da alimentação dentro do lar vem trazendo alívio importante aos orçamentos familiares, especialmente entre as faixas de menor renda. Esses itens são essenciais e têm grande peso no gasto mensal das famílias. Apesar desse alívio, a inflação de serviços ainda preocupa e mostra que não estamos em cenário totalmente confortável”, afirma Aldo Nuñez Macri, presidente do Sindilojas-SP.
Segundo a entidade, a expectativa para dezembro é de inflação ligeiramente maior que a de novembro, porém abaixo da registrada no fim de 2024. Caso esse movimento se confirme, tanto IPCA quanto INPC devem encerrar o ano próximos de 4%.
“Se a inflação mantiver esse ritmo e permanecer sob controle no acumulado de 12 meses, cria-se um ambiente favorável para que o Banco Central inicie cortes graduais nos juros a partir do primeiro trimestre de 2026. Isso teria impacto positivo sobre o comércio e sobre a economia como um todo”, completa Macri.

