O IPCA-15 de janeiro subiu 0,20%, abaixo tanto dos 0,25% de dezembro, quanto dos 0,23% esperados pelo mercado. Com isso, o acumulado em 12 meses passou de 4,41% para 4,50%.
Começando pelo que ajudou o índice a ficar abaixo do que o do mês anterior, podemos destacar três grandes fatores: a gratuidade do ônibus urbano em Belo Horizonte aos domingos; a mudança da bandeira tarifária em janeiro de amarela para verde; a queda nos preços das passagens aéreas. No primeiro caso, o item ‘Ônibus urbano’ caiu 2,79%, puxando para baixo o IPCA-15 do mês em 0,03 p.p.. No segundo caso, a ‘Energia elétrica residencial’ caiu 2,91%, impacto negativo de 0,12 p.p., e no último, a ´Passagem aérea’ caiu 8,92%, impacto baixista de 0,07.
Por outro lado, tivemos uma reversão muito forte do grupo ‘Tubérculos’, que passou de uma deflação de 5,54% em dezembro, para uma alta de 10,17% em janeiro, puxado principalmente pelo ‘Tomate’ que saiu de uma variação negativa de 14,53% para uma positiva de 16,28%. Com isso, a ‘Alimentação no Domicílio’ subiu 0,21%, interrompendo uma sequência de 7 meses de deflação. Além disso, vale destacar o impacto do aumento do ICMS sobre combustíveis, que fez a ‘Gasolina” subir 1,01% (impacto de 0,05 p.p.) e a volta dos preços de alguns produtos após a Black Friday – o ‘Perfume’, por exemplo, passou de uma queda e 3,22% para uma alta de 3,00%.
No caso dos dados qualitativos, todos mostraram aceleração com relação ao mês anterior, mostrando que a perda de fôlego do índice geral se deveu mais a questões pontuais do que estruturais. A ‘Média dos núcleos’ e os ‘Bens industriais’ mostraram aceleração com mais força, com o primeiro passando de 0,32% para 0,43%, enquanto os últimos, saíram de uma deflação de 0,05% para uma alta de 0,64%, refletindo a “ressaca” da Black Friday supracitada. Já os ‘Serviços subjacentes’ ficaram praticamente estáveis, passando de 0,52% para 0,53%.
Por fim, a média móvel trimestral anualizada e dessazonalizada, uma métrica importante por dar a direção do movimento do acumulado em 12 meses, tivemos algumas desacelerações e algumas acelerações. O Índice geral passou de 1,98% para 2,48%, os ‘Bens industriais’ de 0,20% para 1,94%, a ‘Média dos núcleos’ de 3,78% para 3,70% e os ‘Serviços subjacentes’ de 5,24% para 5,16%.
Bottom line: A inflação começa 2026 com uma “cara” muito parecida com a que encerrou 2025, uma variação ao redor de 0,20%, com um acumulado em 12 meses próximo de 4,50%, e sendo impactada por eventos pontuais. Entretanto, podemos ver alguns sinais posiPvos no número divulgado hoje. O primeiro deles é que o acumulado em 12 meses dos ‘Serviços subjacentes’, o grande calcanhar de Aquiles da inflação brasileira, desaceleraram de 6,04% para 5,59% - o menor patamar desde novembro de 2024. O segundo é que, apesar de ter acelerado com relação ao mês anterior, a média móvel dessazonalizada e anualizada do índice geral ficou abaixo da meta de 3,00% pelo segundo mês seguido, algo que não acontecia desde o final de 2023. Mesmo assim, não acreditamos que o COPOM vá reduzir os juros na reunião desta quarta-feira (28/01). Essa diretoria do BCB já demostrou ser cautelosa nos seus movimentos e, após os dados da PNAD contínua de novembro – divulgada em dezembro último – deve esperar a reunião de março para ter mais subsídios para proceder o primeiro corte de 2026, reduzindo os juros doa atuais 15,00% a.a. para 14,50% a.a.. Para o fim do ano esperamos que a Selic esteja em 12,50% a.a.. Um pouco mais ou um pouco menos a depender do câmbio.
*Luiz Otávio Leal é economista da G5 Partners
