O IPCA de janeiro subiu 0,36%, em linha com os 0,33% de dezembro e um pouco acima dos 0,32% esperados pelo mercado. Com isso, o acumulado em 12 meses passou de 4,26% para 4,44%.
Enquanto grupos como alimentação no domicílio e vestuário desaceleraram com relação a dezembro, habitação e saúde aceleraram. Mas, nenhum grupo refletiu de forma tão marcante esse jogo de compensações como o de transportes. No geral, o grupo passou de 0,74% para 0,60% entre um mês e outro. Na sua composição tivemos desde acelerações do ônibus urbano, que passou de uma deflação de 2,63% para uma alta de 5,14% e gasolina de 0,18% para 2,06%, até desacelerações como das passagens aéreas, que variou de alta de 12,61% para deflação de 8,90%.
No transporte por aplicativo a variação foi de alta de 13,79% para deflação de 17,23%.
Tivemos também variações importantes em alguns itens do grupo alimentação no domicílio, como o tomate que subiu 20,52%, impactando o índice em 0,04 p.p. e o leite longa vida, que, ao cair 5,59%, puxou o IPCA de janeiro para baixo em 0,04 p.p..
Individualmente o item que mais impactou o índice para cima foi a gasolina com alta de 2,06% e impacto de 0,10 p.p., por conta do aumento do ICMS dos estados. Para baixo a energia elétrica residencial teve queda de 2,73% e impacto negativo de 0,11 p.p., devido à mudança da bandeira tarifária de amarela para verde, em janeiro.
No caso dos dados qualitativos, seguindo o que aconteceu com o índice geral, tivemos mudanças na margem na média dos núcleos, de 0,46% para 0,45% e nos serviços subjacentes, de 0,56% para 0,57%. Já no caso do bens industriais, tivemos uma aceleração expressiva, com o grupo passando de 0,48% para 0,61%, o maior nível desde abril de 2025.
Por fim, na média móvel trimestral anualizada e dessazonalizada, uma métrica importante por dar a direção do movimento do acumulado em 12 meses, tivemos algumas desacelerações e algumas acelerações. O índice geral passou de 2,14% para 3,37%; os bens industriais de 1,65% para 3,29%, a média dos núcleos de 3,61% para 3,91%, enquanto os serviços subjacentes passaram de 4,78% para 4,61%.
Estabilidade x Aceleração
A inflação de 2026 começa com uma estabilidade no índice mensal e aceleração no acumulado em 12 meses. Olhando para frente a situação deve se inverter, com a aceleração da variação mensal e desaceleração do acumulado em 12 meses. Inclusive, essa última deve ser bastante intensa. Se estivermos corretos, com a alta de 0,50% em fevereiro – puxada pelas mensalidades escolares – a variação anual chegará a 3,63%, o que seria o menor nível desde junho de 2023. Indo além, esse nível seria mantido, variando entre 3,46% e 3,64%, até julho deste ano. Portanto, o Banco Central do Brasil poderia aproveitar essa barriga da inflação no primeiro semestre para acelerar os cortes de juros.
Diante das variações enumeradas, nossa projeção é que a Taxa Selic seja reduzida em 0,50 p.p. na reunião de março.
*Luiz Otávio Leal é economista da G5 Partners.

