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Veículos

Foto: Sérgio Dias

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A Leapmotor iniciou as vendas do C10 no Brasil ao introduzir um SUV médio com duas configurações de propulsão eletrificada, ambas com tração exclusivamente elétrica. O modelo chega ao mercado nacional em versões BEV, totalmente elétrica, e Ultra-Híbrida REEV, sistema no qual o motor a combustão atua apenas como gerador de energia para a bateria. A proposta insere o veículo em um cenário de crescimento da eletrificação no país e amplia a oferta de tecnologias até então restritas a segmentos específicos.

No contexto competitivo, o C10 BEV tem preço a partir de R$ 205 mil e passa a disputar espaço com modelos como BYD Yuan Plus, Geely EX5 e GAC Aion V. Já o C10 Ultra-Híbrido REEV tem preço a partir de R$ 220 mil e se posiciona frente a concorrentes como BYD Song Plus, GWM Haval H6 PHEV19 e Jaecoo 7. A diferença técnica está no conceito de tração: enquanto híbridos plug-in combinam motor elétrico e combustão na movimentação do veículo, o sistema REEV mantém a tração integralmente elétrica, independentemente do modo de energia selecionado.

Foto: Sérgio Dias

O C10 é comercializado com pacote único de acabamento e cinco opções de cores. Mede 4,74 metros de comprimento, possui entre-eixos de 2,82 metros e porta-malas de até 465 litros. As duas versões compartilham o mesmo desenho externo, diferenciando-se apenas pelo bocal adicional de abastecimento da versão híbrida. A versão elétrica tem autonomia de até 338 quilômetros no ciclo PBEV/Inmetro, enquanto a Ultra-Híbrida atinge até 810 quilômetros, também segundo o padrão oficial.

Avaliamos a versão Ultra-Híbrida REEV em uso urbano na cidade de São Paulo e região metropolitana, incluindo deslocamentos para Barueri e Guarulhos, além de percursos rodoviários em direção ao interior, passando por Atibaia, Campinas e Itatiba, e também até o litoral paulista, na cidade de Praia Grande. O objetivo foi verificar como o sistema se comporta em diferentes cenários de uso.

No dia a dia urbano, o comportamento do conjunto elétrico mostrou respostas imediatas ao acelerador, característica do motor síncrono de ímãs permanentes que entrega 215 cavalos de potência e torque de 320 Nm na versão híbrida. Não há variação perceptível na tração quando o motor 1.5 litro a gasolina entra em funcionamento como gerador. Sua atuação ocorre para manter ou recuperar o nível de carga da bateria, sem interferência mecânica nas rodas.

A possibilidade de selecionar os modos de energia — EV+, EV, Combustível e Power+ — permite adaptar o funcionamento conforme a necessidade. Em trajetos curtos, priorizei o modo EV+, que utiliza predominantemente a bateria. Em percursos mais longos, o modo Combustível manteve o nível de carga estável. O sistema também permite definir previamente a porcentagem de carga desejada e realizar recarga rápida de 30% a 80% em 18 minutos em corrente contínua.

No trajeto rodoviário até o interior paulista, a autonomia ampliada da configuração REEV se mostrou determinante. A transição entre geração de energia e uso da bateria ocorre de forma automática. A entrega de torque linear favoreceu retomadas em rodovias e acessos urbanos. Em descidas de serra rumo ao litoral, o sistema de regeneração contribuiu para recuperar parte da carga.

O interior concentra comandos na central multimídia Leap One de 14,6 polegadas, que integra navegação, climatização e ajustes do veículo. O painel digital de 10,25 polegadas complementa as informações de condução. Durante a avaliação, utilizei a chave digital integrada ao smartphone e o sistema Leap+ Connect para monitoramento remoto. O teto panorâmico de 2,1 m² e o banco do motorista com função de boas-vindas fazem parte do pacote único.

 Foto: Sérgio Dias

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Os sistemas de assistência à condução reúnem recursos como piloto automático inteligente, assistente de permanência em faixa, frenagem automática de emergência, monitoramento de ponto cego e câmera 360° com função carro invisível. Em congestionamentos, o assistente de engarrafamento atuou com controle de aceleração e frenagem. O conjunto inclui sete airbags e controle eletrônico de estabilidade e tração.

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O espaço interno foi um dos pontos que mais observamos durante a avaliação. O entre-eixos de 2,82 metros favorece o conforto dos ocupantes traseiros, com saídas de ar-condicionado dedicadas e encosto reclinável. O porta-malas comportou bagagens para viagens ao interior e ao litoral sem necessidade de ajustes adicionais.

Ao final da avaliação, três pontos positivos se destacam: o espaço interno, principalmente para os ocupantes do banco traseiro; a autonomia combinada do sistema REEV, que reduz a dependência de infraestrutura de recarga; e a manutenção da tração exclusivamente elétrica em todas as condições de uso. Como ponto que pode ser melhorado, a concentração de comandos na tela central exige adaptação do condutor para acesso a determinadas funções durante a condução.

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