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Cultura

Cineasta e músico André Luiz Oliveira registrou 15 anos da trajetória de Lorenzo Barreto, diagnosticado com TEA

Cineasta e músico André Luiz Oliveira registrou 15 anos da trajetória de Lorenzo Barreto, diagnosticado com TEA Foto: Divulgação

Foto: Divulgação Cineasta e músico André Luiz Oliveira registrou 15 anos da trajetória de Lorenzo Barreto, diagnosticado com TEA Cineasta e músico André Luiz Oliveira registrou 15 anos da trajetória de Lorenzo Barreto, diagnosticado com TEA

A nova e premiada produção do cineasta e músico André Luiz Oliveira, Meu Amigo Lorenzo, estreia em Palmas no dia 12 de março, no Cinema Cinex, com sessão especial nesse sábado (14), com debate com o diretor e a musicoterapeuta Helenyce Veloso. Exibido no Festival Internacional Cinema e Transcendência em Brasília, no ano passado, o filme circulou por Recife (PE), João Pessoa (PB), Goiânia (GO) e Maceió (AL). Depois da capital tocantinense, o filme ainda ganha as telas de Cuiabá (MT), Aracaju (SE) e Fortaleza (CE). 

O filme registra 15 anos da trajetória de Lorenzo Barreto, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) desde a infância, e propõe uma reflexão sobre o papel da música e do acolhimento no desenvolvimento de pessoas com autismo. O circuito de exibição em várias capitais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste é patrocinado pela Petrobras e realizado com apoio da Lei do Audiovisual/Ancine, do Governo Federal.

A programação inclui, no sábado (14/3), às 18h, uma sessão especial do Circuito Inclusivo Petrobras, com exibição seguida de debate com André Luiz Oliveira e a musicoterapeuta Helenyce Veloso. A atividade busca estimular a criação de uma rede de apoio e troca de experiências entre profissionais e familiares que convivem com indivíduos autistas. A proposta é ampliar o diálogo sobre inclusão e criar conexões entre quem vive ou trabalha diretamente com o autismo.

Premiado como Melhor Longa-metragem pelo público no Festival Primavera do Cine, em Vigo, na Galícia (Espanha), Meu Amigo Lorenzo começou a ser filmado em 2007, quando Clarisse Prestes convidou seu companheiro de vida, André Luiz, para registrar sessões de musicoterapia com Lorenzo, então com quatro anos de idade. As primeiras imagens, feitas em fita MiniDV, abriram caminho para um acompanhamento contínuo durante 15 anos, resultando em um retrato intimista do desenvolvimento artístico e pessoal do jovem.

“Percebi que ele tinha imensas qualidades musicais e enormes impossibilidades psicomotoras. Isso teve um impacto imenso sobre mim. Quando nos conhecemos, Lorenzo tinha 4 anos e não parei de filmá-lo até os 19. Sem nenhuma ideia do que iria fazer, muito menos que resultaria num filme de longa-metragem”, afirma André Luiz. “A música que flui através dele vem de uma região muito profunda do seu ser e é como o ar que respira. Tocar com ele, ouvi-lo e ser ouvido por ele foi e continua sendo extremamente prazeroso, luminoso, desafiador.”

O documentário também questiona a predominância dos tratamentos comportamentais no atendimento a pessoas com autismo. “Nosso trabalho nunca foi impor teorias ou modelos externos. Sempre acreditamos no amor incondicional, no respeito ao outro e no ‘estar junto’ na prática. Afinal, além de um diagnóstico, existe ali um sujeito com sua individualidade e suas preferências”, afirma a musicoterapeuta Clarisse Prestes.

Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, publicados em 2023, uma em cada 36 crianças de oito anos é diagnosticada com TEA. Aplicado à população brasileira estimada pelo IBGE em 2022, esse índice corresponderia a 5,64 milhões de pessoas, número 22% maior que o registrado no levantamento anterior, de 2018.

O diretor e as musicoterapeutas

André Luiz Oliveira é cineasta, músico e roteirista. Dirigiu curtas, médias e longas-metragens, além de shows musicais e trilhas sonoras para filmes. Em 1969, lançou seu primeiro longa, Meteorango Kid – O Herói Intergalático, ícone do “cinema marginal” brasileiro. Assina obras premiadas como A Lenda de Ubirajara (1974), Louco por Cinema (1994), Sagrado Segredo (2009) e documentários premiados como Cozinheiro do Tempo – Bené Fonteles (2009) e O Outro Lado da Memória (2018). Nasceu em Salvador e vive em Brasília desde 1991.

Clarisse Prestes é licenciada em Educação Artística com habilitação em Música pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pós-graduada em Musicoterapia pela FEPECS, em Brasília. Especialista em TEA e outros transtornos do desenvolvimento, participou de congressos no Brasil e no exterior abordando a temática do autismo. É radicada em Brasília desde 1990.

Helenyce Veloso é graduada na Universidade Federal de Goiás, com bacharelado em Musicoterapia. Possui pós-graduação em Desenvolvimento da Linguagem e formação complementar em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e Neuromusicoterapia. Atua na área do desenvolvimento infantil, utilizando a música como recurso terapêutico para promover comunicação, aprendizagem e desenvolvimento. Também realiza atendimentos domiciliares com idosos com demências, utilizando a musicoterapia como recurso de estimulação cognitiva, emocional e de memória.

Finalizado com recursos do Fundo de Cultura do Distrito Federal (FAC), via Arranjos Regionais/FSA, Meu Amigo Lorenzo tem roteiro e direção de André Luiz Oliveira, pesquisa e consultoria de Clarisse Prestes, produção executiva de Carina Bini, assistência de produção de Sueli Navarro, direção de fotografia de Adelson Barreto, montagem de André Luiz Oliveira e Madam Produções, trilha sonora de André Luiz Oliveira e som direto de Marcos Manna. Classificação indicativa: livre.

Programação – Palmas

  • 12/3 a 18/3 – Sessões regulares de Meu Amigo Lorenzo no Cinema Cinex (Palmas Shopping) em horários a serem definidos. Haverá sessão com acessibilidade em Libras e com audiodescrição a ser divulgada em breve.

  • 14/3 (sábado), às 18h – Sessão do Circuito Inclusivo Petrobras, no Cinema Cinex (Palmas Shopping), seguida de debate com  participação de André Luiz Oliveira e da musicoterapeuta Helenyce Veloso.