As celebrações de Páscoa costumam alterar a rotina alimentar, trazendo cardápios mais densos e calóricos. Os ovos de chocolate elevam o consumo de açúcar, enquanto pratos tradicionais, como bacalhau e acompanhamentos ricos em gorduras e sódio, também demandam cautela. Esses excessos, mesmo em um curto período, podem sobrecarregar o organismo, especialmente entre pessoas com fatores de risco para doenças crônicas.
A endocrinologista Isabella Oliveira, do Sabin Diagnóstico e Saúde no Tocantins, explica que sair da rotina alimentar pode gerar diferentes impactos no organismo. “O consumo elevado de açúcar pode aumentar os níveis de glicemia, enquanto alimentos ricos em gorduras e sódio também podem provocar alterações metabólicas e na pressão arterial. Por isso, é importante buscar equilíbrio, incluindo fibras, presentes em saladas e frutas”, orienta.
A recomendação de moderação vale para todas as pessoas, inclusive aquelas sem diagnóstico de doenças. Já quem convive com condições como diabetes ou hipertensão deve ter atenção redobrada, pois mudanças na alimentação podem interferir diretamente no controle dessas condições.
Entre indivíduos com diabetes, alterações na dieta podem exigir ajustes no tratamento. “Muitas vezes, pode ser necessário adicionar medicamentos antidiabéticos ou ajustar a dose de insulina antes das refeições”, ressalta a médica.
O organismo pode emitir sinais quando há alterações, especialmente nos níveis de glicose. Sintomas como fraqueza, sede excessiva, aumento da frequência urinária, tontura, aumento da fome e perda de peso rápida podem indicar hiperglicemia. “Se apresentar esses sintomas, é importante aferir a glicemia capilar com frequência, ajustar o tratamento e procurar ajuda médica em caso de dúvidas”, orienta Isabella.
Exames laboratoriais são aliados importantes na avaliação da saúde após períodos de maior consumo de alimentos calóricos. Entre os principais, estão a glicemia em jejum, a hemoglobina glicada e o teste oral de tolerância à glicose, que permitem identificar precocemente alterações como pré-diabetes e diabetes, além de contribuir para o acompanhamento da saúde metabólica.
Após datas comemorativas, especialmente quando há exageros ou surgimento de sintomas, a avaliação é recomendada. “O rastreio é indicado para pessoas acima dos 35 anos. Já aqueles com idade inferior devem realizá-lo anualmente caso apresentem fatores de risco, como sobrepeso, obesidade, resistência à insulina ou síndrome dos ovários policísticos”, conclui a endocrinologista. (Kiw/AI)

