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Economia

Em meio ao aumento de custos operacionais no Brasil e à crescente competição no e-commerce, empresários brasileiros têm buscado alternativas para ampliar margem e ganhar escala. Uma delas passa diretamente pela origem da cadeia produtiva: a China. Esse movimento acompanha o avanço de um modelo conhecido como direct sourcing, em que empresas passam a negociar diretamente com fabricantes para reduzir intermediários, ganhar competitividade e ampliar o controle sobre produção e distribuição.

É nesse contexto que a Missão Importação China (MIC) abre inscrições para sua próxima edição. O programa leva empresários brasileiros para uma imersão prática nos principais polos globais de fornecimento, incluindo a Canton Fair, considerada a maior feira multissetorial do mundo, e o mercado de Yiwu, reconhecido como um dos maiores centros atacadistas de pequenos produtos.

A iniciativa chega à sua sétima edição, após já ter levado mais de 360 empresários brasileiros à China desde 2023. Ao longo das imersões, participantes têm realizado negociações diretas com fabricantes e estruturado operações próprias de importação, com foco na construção de marcas próprias e no aumento de competitividade.

A Canton Fair, realizada em Guangzhou duas vezes ao ano, reúne cerca de 31 mil expositores e atrai mais de 310 mil compradores estrangeiros de mais de 220 países e regiões. Já o Yiwu International Trade City concentra até 80 mil estandes e mais de 2 milhões de produtos, sendo um dos principais centros globais de abastecimento para o varejo.

O interesse por esse tipo de iniciativa acompanha mudanças no comportamento de empresas brasileiras, especialmente com a expansão do e-commerce e a maior pressão por eficiência operacional. Nesse cenário, o controle sobre fornecedores e produção tem se tornado um diferencial estratégico.

Apesar das oportunidades, especialistas apontam que a importação direta ainda envolve riscos relevantes quando feita sem estrutura. Entre os desafios mais comuns estão a seleção inadequada de fornecedores, a falta de validação de produtos na origem e falhas logísticas, que podem gerar atrasos, custos adicionais e perdas operacionais.

“A importação deixou de ser uma alternativa e passou a ser uma alavanca estratégica para empresas que buscam crescer com maior previsibilidade. Quando o empresário acessa o fornecedor direto e valida o produto na origem, ele passa a ter mais controle sobre o negócio e sobre o posicionamento da própria marca”, afirma Bruno Homero, CEO da DNVB Brands e especialista em importação internacional e desenvolvimento de marcas próprias.

Segundo a organização, com base em dados observados nas edições da missão, empresas que passam a operar diretamente com fabricantes podem registrar ganhos de margem na faixa de 20% a 40%, resultado da redução de intermediários e da negociação direta na origem. A variação depende de fatores como categoria de produto, volume negociado e maturidade da operação.

A metodologia da missão é estruturada em quatro pilares: margem, escala, recorrência e equity; e tem como objetivo orientar empresários na construção de operações mais sustentáveis no médio e longo prazo.

Com grupos reduzidos e acompanhamento próximo, o programa inclui etapas de preparação prévia e suporte pós-imersão, com foco na implementação prática das operações no Brasil.

O avanço desse tipo de movimento sinaliza uma tendência de maior profissionalização da importação no país, com empresas buscando reduzir dependência de distribuidores, acelerar lançamentos e capturar mais valor ao longo da cadeia.