A chamada “taxa das blusinhas”, nome popular dado ao imposto de importação de 20% aplicado sobre compras internacionais de até 50 dólares em plataformas como Shopee, Shein e AliExpress, foi oficialmente encerrada pelo Governo Federal após a assinatura da Medida Provisória pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 12 de maio de 2026, zerando a cobrança do imposto federal para esse tipo de compra. Na prática, consumidores voltaram a ter isenção do imposto de importação nas encomendas internacionais de menor valor, algo que deve provocar reflexos tanto para quem compra pela internet quanto para o comércio varejista brasileiro.
A cobrança teve início em agosto do ano passado, quando o governo federal determinou que compras internacionais de até 50 dólares deixariam de ser totalmente isentas e passariam a pagar uma alíquota de 20% de imposto de importação. À época a medida gerou uma forte repercussão nas redes sociais e rapidamente recebeu o apelido de “taxa das blusinhas”, principalmente porque atingia produtos de baixo valor que são muito procurados pelos brasileiros, como roupas, acessórios, itens de beleza, dispositivos eletrônicos mais simples e utensílios domésticos vendidos por plataformas asiáticas.
Com a nova Medida Provisória, esse imposto federal deixa de existir novamente para compras de até 50 dólares. Contudo, o pagamento do ICMS por parte do consumidor foi mantido e o comprador continuará pagando o imposto estadual que varia entre 17% e 20%, dependendo do estado. Assim, as compras internacionais não ficaram totalmente livres de tributação, mas devem ficar mais baratas em comparação ao período em que o imposto federal de 20% também era cobrado.
Segundo o advogado tributarista Daniel Guimarães, a mudança representa para milhares de consumidores em todo o país uma retomada das compras internacionais de pequeno valor, especialmente diante da diferença de preços entre produtos vendidos em sites estrangeiros e no comércio nacional. “Muitos brasileiros “pisaram no freio” e diminuíram as compras nessas plataformas após o aumento dos custos causado pela tributação. Agora com o fim da cobrança federal, a expectativa é de que produtos importados voltem a se tornar mais competitivos, principalmente nas categorias de moda, eletrônicos e acessórios”, avalia.
Guimarães ressalta que, embora o fim da taxa beneficie consumidores que compram diretamente em plataformas internacionais, a medida preocupa o varejo brasileiro. “Entidades do setor alertam para a concorrência com produtos importados vendidos a preços muito baixos, muitas vezes inferiores aos praticados pelas lojas nacionais. Além disso, o varejo já enfrenta alta carga tributária e custos trabalhistas, logísticos e operacionais elevados, o que dificulta a competição com grandes plataformas internacionais. Com o fim da taxa federal, parte do setor teme aumento da concorrência e mais pressão sobre pequenos e médios lojistas”, observa.
O tributarista acredita que a decisão do Governo Federal coloca novamente em debate sobre justiça tributária e sobre competitividade do mercado. “Trata-se de uma situação complexa que coloca de um lado o consumidor em busca de preços mais baixos e, do outro, empresários e trabalhadores preocupados com os impactos sobre o comércio nacional, empregos e fortalecimento da indústria brasileira. O grande desafio apresentado é justamente encontrar um equilíbrio entre ampliar o acesso da população a produtos mais baratos e garantir condições de concorrência mais justas para o varejo e para a produção nacional”, arremata.
