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Polí­tica

Foto: Divulgação Montagem da tenda do salão do livro, um dos pontos das denúncias - Foto - Umberto Salvador Coelho Montagem da tenda do salão do livro, um dos pontos das denúncias - Foto - Umberto Salvador Coelho
  • Líder do governo estava atordoado - Foto - Umberto Salvador Coelho
  • Stalin foi incisivo nos ataques

A Secretária da Educação do Estado, Maria Auxiliadora Seabra Rezende (prof. Dorinha), foi intensamente bombardeada na manhã desta quarta-feira, 09, na Assembléia Legislativa do Tocantins. Dorinha foi acusada de corrupção, incompetência e nepotismo.

O primeiro a atirar com munição pesada foi Stalin Bucar (PSDB), que subiu à tribuna municiado de um dossiê elaborado pela funcionária concursada da Secretaria da Educação, Elenice Mendes. No relatório Dorinha é acusada de camuflar os dados com objetivo de enganar a opinião pública a exemplo do que foi veiculado pela imprensa do Estado: “Tocantins é destaque na prova Brasil”. A funcionária sugere que os deputados analisem os dados do INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - para saber qual é a verdadeira situação da educação no Estado.

O relatório também lança dúvidas sobre a acumulação patrimonial da Secretária. “Porque a senhora Secretária Dorinha e seus assessores mais próximos ficaram tão ricos num espaço tão curto de tempo?”,. Em outro ponto da denúncia a servidora questiona que, enquanto faltam livros no ensino fundamental, médio e EJA - Escola de Jovens e Adultos - , a Secretaria gasta R$ 5.000.000,00 (cinco milhões) com o salão do livro.

As denúncias acontecem num momento em que o governo investe para recuperar a imagem da secretária Dorinha desgastada por acusações dos próprios governistas, a exemplo do deputado César Halum (DEM). Dorinha desta vez é acusada, entre outros, de nepotismo; por empregar 15 parentes na Secretaria e por manter em Brasília a professora Nilce Rosa Costa, cursando mestrado e ganhando salário do governo no nível DAS/ 12, um dos maiores salários do governo.

A denúncia ainda informa que a secretária tem três carros do governo à sua disposição (duas camionetes e um carro de passeio), mas isto ainda não é o mais grave. O dossiê lança dúvidas sobre a compra de imóveis para a sede de algumas Diretorias Regionais de Ensino e pergunta se os deputados acham que o valor é de mercado. “É bom averiguar, e muito rápido, pois o TCU – Tribunal de contas da União está de olho em cima dessas transações todas conduzidas pelo senhor Fernando Rezende”, sugere o relatório. Fernando Rezende é esposo da deputada e dono do Grupo Rezende, possuidor, entre outros bens, de uma imobiliária de mesmo nome.

Último lugar no Enem

Antes de falar da denúncia Stalin leu parte de uma reportagem que informava que o Estado do Tocantins está mais uma vez em último lugar na avaliação do Enem. Ele disse que não iria ler toda a notícia do jornal porque isto envergonha os tocantinenses. “O nosso estado é um estado jovem que deveria ter uma qualidade de ensino exemplar”, ele informou que muitos alunos do ensino fundamental estão sem livros e a Secretaria não soube informar quantos. “Se a Secretária não sabe informar é porque não sabe quantos alunos tem na rede de ensino”, alfinetou.

Stalin ainda afirmou que é vergonhoso para o estado receber uma denúncia de uma funcionária pública da Secretaria da Educação, “está sendo divulgado no Brasil todo a vergonha do Tocantins em último lugar. Põe na televisão propaganda para se promover politicamente e a educação fica nos envergonhando”.

O deputado ainda questionou o fato de se estar gastando tanto com a montagem do salão do livro sendo que a capital tem o Centro de Convenções, este ano os gastos serão de R$ 6.000.000,00. Segundo ele a feira é importante e deve ser parabenizada “mas não cheira bem, é desviar dinheiro de lugar que precisa”, arrematou.

A defesa de Dorinha coube primeiro a Paulo Roberto (DEM), que disse que “ficava preocupado com pessoas que ficam trabalhando em órgãos e fazendo dossiês”. Segundo ele, muitas vezes por inveja. Ele ainda lembrou que se Dorinha não fosse importante não teria sido eleita para a presidência do Consed – Conselho dos Secretários de Educação, sendo reconhecida nacionalmente.

A fala de Paulo Roberto foi prontamente rebatida por Stalim, que disse que, nacionalmente Dorinha é reconhecida sim, mas pelos resultados que estão escancarados. Ele disse que no caso das denúncias, a funcionária pública está fazendo “porque não é só ela que está sendo prejudicada”. Ele informou que vai ficar atento porque se houver perseguição ele vai ao Ministério Público.

Outro que teceu críticas irônicas foi Raimundo Moreira (PSDB) que disse que "na época do governo, que dizem que era ditador, a Secretária veio à Assembléia prestar esclarecimentos" e que neste governo que se diz “democrático” ela não aparece. Moreira disse que era importante a vinda dela à Assembléia.

Como boa parte dos deputados governistas não apareceu na manhã desta quarta-feira, Dorinha foi entregue aos leões e leoas da casa de leis. Luana Ribeiro (PR) ao falar do fato da Secretária presidir o Consed disse que "o cargo deve ser indicação política, porque se for por competência não justifica, os fatos estão aí, o último lugar”, arrematou.

O líder do governo Junior Coimbra (PMDB) a esta altura já atordoado com tantos ataques ainda tentou fazer uma defesa, subindo à tribuna. Ele disse que o professor no Tocantins é um dos melhores remunerados do País. Sobre o Salão do Livro disse que a maior parte dos custos é em investimento em cursos e livros patrocinados e financiados pelo governo.


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