Polí­tica

Foto: Laila Mariana Salvador

O Conexão Tocantins recebeu em sua redação a visita do presidente metropolitano do Partido Socialista Brasileiro (PSB) da capital e pré-candidato ao Senado da República, Alan Barbiero.

Em entrevista ao site, Barbiero falou sobre sua carreira política, a decisão de lançar seu nome ao Senado pelo Tocantins e a pré-candidatura do prefeito de Palmas e correligionário, Carlos Amastha, ao Governo do Estado.

Alan Barbiero é natural de Goiânia (GO) e mudou-se para o Tocantins em 1975. Formado em Engenharia Agronômica e com mestrado e doutorado em Sociologia e Economia do Desenvolvimento, Barbiero foi o primeiro reitor da Universidade Federal do Tocantins (UFT) por dois mandatos, entre 2003 e 2012.

Levando-se em consideração o tradicionalismo e a perpetuação de nomes na política tocantinense, pode-se dizer que Alan Barbiero é um recém chegado. Somente em 2017 assumiu um cargo eletivo quando ocupou uma vaga na Assembleia Legislativa como suplente durante período de licença do deputado estadual Ricardo Ayres (PSB). Foi ainda Secretário Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável entre 2013 e 2014 e Secretário Municipal de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Humano em Palmas de 2015 a 2016.

Confira abaixo a entrevista na íntegra.

Conexão Tocantins (CT) - A pretensão do senhor este ano é realmente uma vaga no Senado?

Alan Barbiero - “Na verdade não é uma pretensão minha. É uma pretensão de um grupo e do nosso partido, o PSB, inclusive aprovada recentemente no congresso nacional do PSB. Foi feita uma avaliação dentro do PSB, e também entre os partidos aliados, de que o nosso nome agregaria conteúdo e valor à nossa chapa e eu me dispus. Estou muito animado porque estou sentindo [que tenho] espaço. Eu sinto um cansaço, uma fadiga [por parte da população] dos nomes que estão sendo colocados, a população está com sentimento de renovação, buscando perfis que não sejam de políticos que fizeram da política uma profissão. E eu tenho a política como um instrumento de transformação. Eu construí uma carreira profissional, mas sempre gostei da política e acho importante todo mundo estar fazendo parte da política. Eu acredito que podemos mudar muita coisa no Brasil e isso depende do Senado. Muitas vezes o Senado não é valorizado o suficiente e [para lá] acabam indo políticos que estão em final de carreira, ou que estejam se aposentando, então se cria um espaço muito conservador ou então de despachantes que vão apenas para apresentar uma emenda, mas que não entram no debate dos grandes temas nacionais. Nós temos que fazer uma reforma profunda, precisamos debater a Reforma da Previdência, que eu entendo que seja necessária, mas primeiramente vamos acabar com os privilégios que não são do trabalhador, mas sim privilégios dos bancos, do judiciários, do próprio legislativo. Nesse sentido eu vejo que precisamos ter senadores para orgulhar o Estado do Tocantins".

CT - Quando o senhor fala em políticos em final de carreira está se referindo ao ex-governador Siqueira Campos?

AB - “Não. Estou  me referindo ao senado em geral. Se você pegar uma boa parte dos estados você vai ter o Senado em fim de carreira e eu acredito que a casa precisa agora ter mais vigor e dinâmica e ser mais avançada. Não podemos ter um senado retrógrado, um Senado que muitas vezes não tem pessoas que têm coragem de percorrer o Estado, de conversar com a população. Eu acredito que eu me preparei, me capacitei. Já demonstrei na Universidade Federal do Tocantins, como secretário de Estado, secretário Municipal, que a gente tem boas condições para ajudar a formular bons projetos e desenvolver nosso Estado, criando mais oportunidades. Um senador tem que estar entre os grandes projetos de desenvolvimento”.

CT - Ele (Siqueira Campos) está prestes a completar noventa anos e anunciou que vai disputar uma vaga ao Senado. Como o senhor analisa isso?

AB - “A vontade dele é legítima, mas na minha avaliação o legado do ex-governador Siqueira Campos está na história. Nós estamos vivendo um outro momento. Talvez o que eles não compreenderam é a conexão do momento que estamos vivendo. Nós estamos virando uma página. O Siqueira deu seu melhor na criação do Estado, mas o momento é para novos atores, novas lideranças e renovação na política. É um mandato de oito anos, e eu acho que um mandato de senador para quem quer mudar o País e o Tocantins tem que ter muito vigor. Eu quero ter um mandato diferenciado, de muito diálogo com as pessoas, de participação e audiências públicas”.

CT - Quais são suas principais propostas de campanha?

AB - “Eu defendo a mudança da nossa matriz energética. É um absurdo que a Alemanha use dez vezes mais energia solar que o Brasil que é o maior País tropical do mundo. Infelizmente temos parlamentares que não enfrentam o monopólio das companhias elétricas baseadas na matriz atual [hídrica.]”

CT- Qual outra proposta de campanha o pré-candidato destaca?

“Eu estive deputado estadual por um período e defendi a cadeia produtiva do peixe como uma alternativa à pecuária. A cadeia alimentar do peixe é a maior do mundo. O Estado do Tocantins pode dobrar a produção nacional com mais de mais de 200 mil toneladas por ano. E quando se começa a produzir o peixe essa cadeia produtiva agrega outras atividades, podemos gerar no Tocantins R$ 1 bilhão só com a cadeia produtiva do peixe e eu apresentei um projeto na Assembleia Legislativa que modernizou a cadeia produtiva do peixe”.

CT - Como o senhor faria para superar o fortíssimo lobby da pecuária de grande porte e das empreiteiras construtoras de hidrelétricas para conseguir colocar em pauta a proposta de mudança de novas matrizes energéticas e cadeias produtivas?

AB - “Quando você dialoga com a população você tem uma adesão porque a comunidade entende. Não adianta eu falar pra população que eu vou diminuir a conta de energia nos moldes atuais porque o custo de produção é elevado. Quando se expõe isso você passa a ter o apoio da população”.

CT - O senhor é a favor da privatização da Eletrobrás? Qual sua opinião sobre a privatização de bens públicos?

AB - “Eu sou contra a privatização da Eletrobrás. Existia a visão de que a gestão pública era ineficiente, mas ela, por si, não é ineficiente. O País tem que dominar o que é estratégico para a soberania do Estado”.

CT - A segurança pública deverá estar no foco das discussões políticas nos próximos meses. Quais são as propostas do PSB para a área?

AB - “O PSB tem dois grandes exemplos na prática de como reduzir a violência e o crime. Nós temos o exemplo de Recife no Pernambuco que era uma das mais violentas do Brasil e que o Eduardo Campos conseguiu reestruturar as forças de segurança do Pernambuco, reduzindo em seu governo em mais de 50% a violência. E também em Vitória no Espírito Santo que tinha um índice de violência muito grande e que o (ex) governador Casagrande reduziu implantando políticas. Você tem que ter o governador assumindo isso como líder. Aqui nós temos problemas todos os dias e o governador age como se não fosse problema dele”.

CT - O senhor tem conversado com quais partidos e qual a perspectiva de formação do arco de apoio político tanto seu, quanto do pré-candidato ao governo Carlos Amastha?

AB - “Os partidos que têm acompanhado nosso movimento, juntamente com o nosso pré-candidato a governador Carlos Amastha, são o PSB, PTB, PCdoB, Podemos, PSL e o PSDC”.

CT - O pré-candidato à presidência, Jair Bolsonaro, deve se filiar nos próximos dias ao PSL, como o senhor avalia a aliança entre seu partido e a sigla que vai abrigar Bolsonaro?

AB - No nosso congresso, do PSB, foi delegado aos candidatos a governador fazer os entendimentos locais e depois encaminhar para a direção nacional, mas eles teriam autonomia nos estados para compor seu arco de alianças, mesmo porque após a morte de Eduardo Campos nós perdemos uma liderança nacional e não apresentamos uma candidatura a presidente da república porque neste momento estamos concentrados na eleição de governadores, senadores e deputados até formar uma nova liderança nacional que eu acredito que vamos ter para as próximas eleições”.

CT - Vamos ter Bolsonaro e Amastha juntos no palanque?

AB - “Muito difícil. A gente tem um distanciamento de visão de mundo. Eu acredito que o PSB não estaria no palanque com o Bolsonaro. Mas nós temos uma coalizão que é mais ampla que o PSB e se houver partidos que queiram estar com o Bolsonaro ninguém pode cercear outros partidos, mas o PSB definiu seus princípios e valores e que eu acredito que não se alinham ao que o pré-candidato Bolsonaro defende”.

CT - O sucesso de uma candidatura está muito ligado à formação dos grupos e alianças políticas. Ano passado os prefeitos do PSB migraram para outros partidos e hoje o PSB tem apenas dois prefeitos. Como o PSB pretende viabilizar a candidatura do Amastha se vocês não têm essa capilaridade nas bases?

AB - “Nós vamos ter uma grande surpresa positiva nestas eleições. Hoje o mais importante para o político não é a quantidade de prefeitos aliados, mas sim ele estar conectado com a população e buscar uma conexão direta. Hoje estamos muito mais conectados. Você precisava de um intermediador local quando as pessoas não tinham rede social, internet, celular, whatsapp. E eu acredito que este momento da política é de que estas lideranças terão um poder muito relativizado porque eles não vão conseguir convencer a população a votar em alguém que não esteja conectado com o sentimento da população. E este sentimento é o de ter um governador que seja um bom gestor, que desenvolva o Estado, que dê atenção e converse direto com a população, que seja acessível mesmo que utilizando redes sociais. O candidato que tiver 139 prefeitos e não tiver este perfil não vai convencer a população e vai perder”.

CT - O senhor acha então que o diálogo é mais fácil pela rede social do que através da mediação da liderança política local?

AB - “O contato direto do eleitor com o candidato, através de todos os meios, até mesmo o pessoal, mas também as redes sociais que nos aproximam tem um poder muito importante hoje. Os líderes locais continuam importantes e eu acredito que eles vão conseguir canalizar votos para deputado estadual, mas para governador não. O líder local vai influenciar pouco na eleição majoritária”.

CT - Esse marketing virtual é suficiente para convencer o eleitorado a rejeitar nomes tradicionais na política tocantinense? Como o grupo de vocês, capitaneado pelo pré-candidato Carlos Amastha, pretende retirar o retrato do político tradicional da parede da sala daquele eleitor lá do interior do Estado?

AB - “Os retratos vão continuar, mas o sentimento vai ser outro, o retrato, o carinho, a gratidão continuam, mas a população é inteligente e sabe fazer a leitura de que estamos em um momento de que não há emprego, educação, saúde e segurança estão um caos. Então a população pode deixar a foto, mas vai dar um voto de renovação e mudança”.

CT - Mas o senhor não acha que o prefeito precisa viajar, ir até as cidades? Ou a campanha vai ser só por redes sociais? Quem vai apresentá-lo ao eleitorado do interior do Estado?

AB - “Mas ele já está lá e muitas vezes a pessoa lá de Sandolândia não precisou dele ir lá, mas ela já veio aqui e viu as realizações e é impressionante como se repercute o trabalho na capital no Estado inteiro. Daqui até nossa convenção nós vamos ter um crescimento muito grande de apoio de lideranças locais que vão vir. Muitos estão aguardando porque não acreditavam que o Amastha era corajoso o suficiente para se afastar, mas ele já demonstrou que é. E o jogo já vai mudar em direção à nossa candidatura. E nós vamos rodar. O Amastha já rodou muito e eu também, mas temos ainda até outubro para isso”.

CT - E em quem o grupo de vocês está pensando para ocupar a outra vaga para disputar o Senado na majoritária?

AB - “Nós temos muita simpatia pela candidatura do César Halum, o deputado Paulo Mourão, que se coloca candidato a governador, mas nós temos muita simpatia também e poderia ser um bom candidato ao Senado ou um vice-governador”.

CT - O PSB está conversando com o PT também, então?

AB - “Na verdade nós temos conversado com as pessoas que têm a defesa da mudança da política no Estado do Tocantins, aquelas pessoas que querem acabar com as oligarquias e uma política que seja para todas as pessoas e não de acreditar que você é dono do Estado e faz uso do bem público para interesses pessoais. As pessoas querem se libertar desse modelo que faz uso do populismo. Então estamos conversando com todos”.

CT - O senhor não acha que as recentes operações da Polícia Federal vão “prejudicar” as candidaturas?

AB - “Nós não sabemos o desdobramento, mas eu imagino que sim.”

CT - O senhor acha que estas operações podem inviabilizar, por exemplo, a candidatura do Amastha, que já foi exposto?

AB - Eu não posso avaliar, mas acredito que a do prefeito Amastha não. Acho que ele tá muito seguro de suas ações”.

CT - As denúncias e investigações na Fundesportes e Previpalmas não podem interferir na candidatura de Amastha?

AB - “Não, de forma alguma”.

CT - Já tem alguma coisa definida quanto à coordenação de campanha dos senhores?

AB - “Nós temos um grupo de articulação que são os presidentes dos partidos. Não é uma coordenação porque ainda não temos uma campanha ainda”.

CT - Qual o principal legado do governo de Carlos Amastha na capital que ele pretende levar para mostrar na campanha ao governo?

AB - “Temos vários, a saúde é um exemplo. A saúde de Palmas é referência no brasil e vamos levar o que fizemos na saúde de Palmas para o restante do estado. Uma gestão eficiente porque o problema da saúde não é falta de recurso, mas sim falta de gestão. Palmas se tornou referência na prática de esportes e isso foi ação de políticas públicas do prefeito Amastha. Nós vamos levar também para o Tocantins a questão da eficiência na administração pública. Quando eu fui secretário nós criamos o Instituto 20 de Maio, que capacita o servidor da prefeitura, nós criamos o Programa Superar, que valoriza o mérito na administração e uma gestão administrativa competente que, antes de virar o mês o salário tá na conta, paga-se a data-base. Se o Tocantins continuar quatro anos nessa falta de atitude e coragem, nós vamos entrar em um processo irreversível sem conseguir pagar nem a folha, imagine sobrar recursos para investimento. Uma gestão que não consegue manter nem certidão negativa de débitos, como vamos dar mais quatro anos pra ela?”

Por: Adenauer Cunha e Umberto Salvador

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