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Brasil-China

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Foto: Ricardo Stuckert/PR

líder chinês, Xi Jinping, disse em conversa por telefone com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que apoia a maior economia da América Latina e o Sul Global e pediu que ambas mantenham o papel das Nações Unidas.

O diálogo entre os líderes foi divulgado pela agência de notícias estatal da China, a Xinhua, na madrugada desta sexta-feira, 23 de janeiro, e se deu após as críticas de Lula ao ataque dos Estados Unidos (EUA) à Venezuela, em artigo publicado no New York Times desta semana. 

Segundo a agência, Xi afirmou ao presidente Lula que a China e o Brasil devem salvaguardar os interesses comuns do Sul Global e manter conjuntamente o papel das Nações Unidas na “atual situação internacional turbulenta”.

As declarações foram feitas semanas depois que o governo de Donald Trump prendeu o presidente venezuelano Nicolás Maduro para ser julgado nos EUA por acusações relacionadas a tráfico de drogas. A ação levou Caracas a uma situação de incerteza política.

Países Latino-Americanos 

A ação dos EUA na Venezuela gerou preocupações entre os países latino-americanos quanto ao risco de intervenções armadas semelhantes em seu território e provocou críticas da ONU.

O secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, afirmou em entrevista ao programa Today, da BBC Rádio 4, que os Estados Unidos estavam agindo com impunidade e os princípios fundadores das Nações Unidas, incluindo a igualdade entre os Estados-membros, estavam sob ameaça.

Em artigo publicado em 18 de janeiro no New York Times, o presidente Lula escreveu que o futuro da Venezuela, e de qualquer outro país, deve permanecer nas mãos do seu povo. "Em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos, embora as forças americanas já tenham intervindo anteriormente na região. É fundamental que os líderes das grandes potências compreendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que essas potências possam ser, elas não podem depender simplesmente do medo e da coerção", disse. 

Groenlândia

Outra ameaça de Trump, de usar a força para obter a Groenlândia, um território autônomo independente da Dinamarca, também afetou as relações com os aliados de segurança do outro lado do Atlântico. 

Os bombardeios na Venezuela e o indiciamento de Maduro também desafiam a influência da China na América Latina e no Caribe, onde Xi prometeu novas linhas de crédito e mais investimentos em infraestrutura.

"A China está disposta a continuar sendo uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe", disse Xi a Lula.

Segundo o líder chinês, a parceria estratégica firmada em 2024 para alinhar a iniciativa do Cinturão e Rota (BRI na sigla em inglês) da China com os planos do Brasil em agricultura, infraestrutura e transição energética exemplifica a solidariedade e a cooperação entre os países do Sul Global. (*Com informações da Reuters, da Xinhua, e Agência Brasil)