O ano de 2026 não é apenas um "ensaio" para a Reforma Tributária; é o marco inicial de uma mudança operacional profunda. Desde 1º de janeiro, empresas de todo o país estão obrigadas a adaptar seus documentos fiscais eletrônicos (NF-e e NFC-e) para incluir os campos destinados ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).
Embora o período seja de transição, a exigência tem efeito prático e jurídico. Segundo a Nota Técnica 2025.002, que estabelece os novos leiautes do sistema nacional, o preenchimento desses campos tornou-se essencial para a validação das notas. Na prática, a "alíquota de teste" de 1% (sendo 0,9% para a CBS federal e 0,1% para o IBS estadual/municipal) já aparece no faturamento real das empresas.
Muitos gestores acreditaram que 2026 seria um ano de simulações facultativas, mas a realidade do mercado é outra. A emissão de notas agora depende de novos campos e validações sistêmicas. Erros em classificações fiscais, como NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) ou o uso de CNAEs desatualizados, estão gerando inconsistências imediatas e a temida "rejeição de nota", que interrompe o fluxo de saída de mercadorias.
"A exigência já está em vigor e muda diretamente a rotina das empresas. Mesmo sendo um período com carga tributária reduzida, os sistemas precisam estar calibrados para emitir notas com IBS e CBS corretamente, pois não se trata apenas de uma simulação, mas de uma obrigação acessória real", explica Andressa Garcia, especialista da Aliança Assessoria Contábil.
Os reflexos da falta de adaptação atingem diretamente o caixa. Notas rejeitadas impedem a conclusão de vendas e dificultam o registro de receitas. Além disso, a fase de testes serve para que o fisco monitore o fluxo de informações que servirá de base para as alíquotas definitivas de 2027.
Os principais pontos de atenção para as empresas agora são:
- Atualização de ERPs: Sistemas de gestão precisam estar alinhados à última versão do leiaute da Receita Federal.
- Revisão de Cadastros: Dados de produtos e clientes devem estar 100% corretos para evitar erros de cálculo no IVA Dual (IBS/CBS).
- Treinamento Fiscal: Equipes de faturamento precisam entender a lógica da não-cumulatividade que começa a ser desenhada agora.
Para Andressa, o momento exige atenção imediata. “Empresas que ainda não adaptaram seus processos correm o risco de enfrentar inconsistências fiscais e impacto direto no faturamento. Em alguns casos, a operação pode parar. Por isso, 2026 deve ser tratado como um ajuste obrigatório, e não de espera”, orienta.
A transição gradual visa substituir impostos como PIS, Cofins e IPI (em 2027) e, posteriormente, ICMS e ISS. Utilizar 2026 como um laboratório prático é a única forma de garantir que, quando as alíquotas chegarem ao patamar pleno na virada do próximo ano, a empresa já tenha processos maduros e seguros, evitando multas e gargalos operacionais. (Precisa/AI)

