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Saúde

Foto: Marcos Sandes / Secom Araguaína

Foto: Marcos Sandes / Secom Araguaína

O Sindicato dos Farmacêuticos do Estado do Tocantins (Sindifato) recebeu com cautela o anúncio feito pelo governador Wanderlei Barbosa sobre a realização do novo concurso público da Saúde. Apesar de reconhecer o esforço da gestão em romper um jejum de 18 anos sem certames, a entidade aponta que os 18 anos de inércia geraram um abismo de pessoal que compromete a segurança dos pacientes e a saúde mental dos trabalhadores. Os dados técnicos revelam que as 5.124 vagas ofertadas podem não ser suficientes para retirar a rede pública do estado da "UTI" em que se encontra por falta de profissionais, especialmente na área farmacêutica.

Os números extraídos dos Relatórios Detalhados do Quadrimestre Anterior (RDQA) são particularmente preocupantes para a categoria. Segundo o Sindifato, em maio de 2025 (RDQA 1/2025), o estado contava com 401 farmacêuticos, incluindo efetivos e contratados. No entanto, em um período de apenas três meses, até agosto do mesmo ano, esse contingente despencou para apenas 222 profissionais. Essa redução drástica representa um déficit de quase 45% no quadro. A diretoria do sindicato enfatiza a gravidade da situação: "Estamos vivenciando um cenário onde profissionais se aposentam e não são substituídos. Onde antes havia dez farmacêuticos para dividir a demanda, hoje temos cinco sobrecarregados com o trabalho de dez", destaca o presidente Renato Soares. 

O Sindifato aponta que o próprio Governo do Estado reconhece a sobrecarga ao admitir que as escalas só são mantidas através de plantões extraordinários recorrentes. "Essa prática não é uma solução, mas um sintoma claro de falência do sistema. O uso sistemático de plantões extras tem levado farmacêuticos ao esgotamento físico e mental, resultando em afastamentos por doenças ocupacionais", reclama o presidente Renato. 

A entidade representativa argumenta que muitos profissionais relatam trabalhar sozinhos, sem assistentes, o que inviabiliza diligências essenciais em setores críticos como centros cirúrgicos e prontos-socorros. "Em diversas unidades, a falta de pessoal obriga o fechamento de farmácias no período noturno, justamente quando a demanda, embora menor, é vital para emergências. A falta de assistência farmacêutica plena tem reflexos diretos na ponta do sistema, pois sem o número adequado de profissionais para a conferência de protocolos e orientação, o risco de erros aumenta", acrescenta Soares. 

O sindicato afirma que a imprensa noticia semanalmente óbitos e complicações por falta de medicamentos ou procedimentos. "A ausência do farmacêutico é um fator invisível, mas determinante nessas tragédias". 

Diante desse cenário, o Sindifato critica veementemente a postura de isolamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES). A entidade defende que o número de vagas para farmacêuticos no edital deveria girar entre 100 a 130 novas vagas, apenas para suprir a demanda imediata e as aposentadorias previstas. "O governo precisa sentar à mesa com os sindicatos. Somos propositivos e conhecemos a realidade do chão do hospital. Infelizmente, o trabalhador é o último a saber das mudanças e o primeiro a sofrer as consequências da falta de planejamento", reforça a entidade, clamando por um diálogo urgente e construtivo.

Para fortalecer a atuação e documentar a realidade da categoria, o Sindifato convoca todos os farmacêuticos que enfrentam situações de sobrecarga, escalas abusivas ou trabalho solitário a denunciarem as condições de seus ambientes de trabalho através do formulário de contato disponível no site www.sindifato.org.br.