Profissionais da área farmacêutica acompanham com atenção as notícias relacionadas ao edital do concurso público da saúde do Tocantins, certame anunciado recentemente pelo Governo. Para além de oportunidade de melhor condição de salário, a categoria espera um número de vagas que realmente supra o déficit da área. Representante da categoria, o Sindicato dos Farmacêuticos (Sindifato) defende ser através da formação de efetivos que o Estado garante confiança, histórico de atendimento, estabilidade, retorno especializado, entre outros benefícios à comunidade.
De acordo com a entidade representativa, a escolha entre servidores públicos (concursados) e funcionários contratados (terceirizados ou temporários) impacta diretamente a continuidade do cuidado e a eficiência. O Sindifato reforça que a lógica do funcionalismo público é intrinsecamente voltada ao bem-estar coletivo.
Na visão do presidente Renato Soares, quem dispensa horas e horas em estudo para concurso busca estabilidade. "E essa estabilidade é benéfica não só para o trabalhador, mas para os pacientes do nosso Estado. Instituições de saúde são complexas. Funcionários que permanecem por décadas tornam-se guardiões do conhecimento", destaca.
Déficit
A entidade representativa dos farmacêuticos reforça pedido para que o Governo do Estado considere quantidade de vagas que supra o déficit de profissionais. "É preciso que a Saúde dialogue com os sindicatos para que consigamos colocar na mesa as dificuldades enfrentadas por cada setor da saúde no Estado. Na área farmacêutica são necessárias pelo menos 130 vagas apenas para suprir a demanda imediata e as aposentadorias previstas. Fora essa questão, há muitos dos nossos que estão sobrecarregados por falta de pessoal", afirma o presidente Renato Soares.
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Alguns dos diferenciais do funcionalismo público na saúde
Acompanhamento a longo prazo: Um médico, enfermeiro ou farmacêutico concursado tende a permanecer na mesma comunidade por anos. Isso permite que ele conheça o histórico familiar e o contexto social dos pacientes. Permite ainda que se especialize cada vez mais e dê retorno para aquela coletividade. "Gera mais confiança. O cidadão já vai para a aquela unidade de saúde sabendo quais profissionais vai encontrar", afirma Renato.
Redução da rotatividade: Contratos temporários geram uma "dança das cadeiras" que interrompe tratamentos e obriga o paciente a recontar sua história a cada nova consulta.
Treinamento e Especialização: O Estado investe em capacitação sabendo que aquele conhecimento permanecerá na rede pública, em vez de migrar para o setor privado após o fim de um contrato curto.
Gestão de Crises: Em pandemias ou surtos locais, profissionais experientes que conhecem o funcionamento interno da burocracia e da logística local agem de forma muito mais coordenada.
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O presidente Renato ressalta, porém, que a contratação temporária tem seu valor em emergências (como o reforço de equipes em uma epidemia súbita) ou para suprir especialidades raras onde o concurso público não atrai candidatos. Contudo, para a base do sistema, o funcionalismo público é geralmente visto como o pilar da resiliência.
Diante da demanda por profissionais, o Sindifato aguarda um posicionamento da gestão da saúde para que apresente o número de vagas e lotação dos futuros servidores públicos. “Não adianta fazer um concurso com vagas insuficientes! Além da necessidade atual, o concurso em análise deve suprir as vagas que serão abertas para os próximos exercícios, por causa das novas aposentadorias, uma vez que servidores concursados dos anos de 1994 e 1998 já estão quase cumprindo os critérios para aposentadoria por tempo de contribuição e idade”, acrescentou Renato Soares.

