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Saúde

Foto: Divulgação

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O momento que antecede uma cirurgia costuma ser desafiador para pacientes de todas as idades, mas tende a ser ainda mais intenso no público infantil. No caso das crianças, o cenário pode ser mais delicado, marcado por insegurança, medo do desconhecido e dificuldade de compreensão sobre o que está acontecendo.

Um estudo publicado na Revista Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) identificou que cerca de 30,9% das crianças apresentam ansiedade no período pré-operatório. Esse quadro pode interferir na indução anestésica, no comportamento durante o procedimento e até na recuperação, com repercussões como agitação ao despertar, alterações no sono e maior dificuldade de adaptação ao ambiente hospitalar.

Nesse contexto, a atuação do médico anestesiologista é fundamental e vai além da condução técnica da anestesia. Responsável por avaliar as condições clínicas e garantir a estabilidade do paciente durante toda a cirurgia, esse profissional também desempenha papel estratégico na preparação emocional da criança, contribuindo para um ambiente mais seguro e acolhedor.

De acordo com o médico anestesiologista e cooperado da Coopanest Tocantins, Dr. Luiz Gustavo Lima, a ansiedade infantil pode impactar diretamente o procedimento cirúrgico. “Ela provoca alterações como aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e maior dificuldade na indução anestésica, com agitação e resistência à separação dos pais”, explica. Esse quadro pode exigir maior manejo da equipe e repercutir também no pós-operatório. “Há ainda relação com mais dor após a cirurgia e alterações comportamentais, como irritabilidade e distúrbios do sono”, acrescenta.

Diante disso, considerando idade, comportamento e histórico clínico, o anestesiologista realiza uma avaliação individualizada, alinhada a protocolos modernos, para definir estratégias que reduzam o medo e proporcionem mais tranquilidade tanto às crianças quanto às famílias.

A escolha da técnica anestésica, por exemplo, passou a incorporar esse olhar mais personalizado. “Adaptamos a abordagem conforme o perfil da criança, podendo utilizar anestesia inalatória com máscara ou medicação ansiolítica para tornar a indução mais tranquila”, destaca Luiz. Essas práticas contribuem para uma experiência menos traumática e mais segura.

Além disso, é importante destacar que o preparo emocional da criança começa antes mesmo da chegada ao hospital, e a forma como os pais conduzem esse momento pode influenciar diretamente o comportamento no pré-operatório.

Crianças precisam de previsibilidade para se sentirem seguras e, segundo o especialista, esse processo pode ser fortalecido com orientações simples no ambiente familiar. “Conversar com a criança de forma tranquila, utilizar recursos lúdicos e, principalmente, adotar uma comunicação adequada para a faixa etária faz muita diferença”, conclui o anestesiologista.