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Estado

Foto: Divulgação

A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) do Tocantins encaminhou nota à imprensa nesta segunda-feira, 27, lamentando profundamente o falecimento de frei Henri des Roziers, aos 87 anos, na tarde deste último domingo, em Paris, onde era natural. Formado em Direito e com um PhD em Direito Comparado, pela Universidade de Cambridge, Henri foi ordenado sacerdote em 1963 e um dos maiores defensores dos direitos dos trabalhadores rurais e camponeses na região de fronteira agrícola da Amazônia brasileira.

No ano de 1979 frei Henri des Roziers estendeu seu trabalho ao Tocantins, principalmente na região do Bico do Papagaio, quando ainda era norte goiano. Durante anos, Henri foi o único defensor dos trabalhadores nessa região. Aparentemente frágil, magro, de fala mansa e andar compassado, Henri possuía uma força interna e um coração sem tamanho, segundo a nota da Seciju, tanto que se tornou referência no acolhimento de vítimas do combate ao trabalho escravo e na denúncia desse crime à Justiça e ao mundo, informa a Secretaria, complementando que ele foi um dos principais atores na luta pela Reforma Agrária.

A morte de Henri foi em decorrência do agravamento de seu estado de saúde, pois ele já havia sofrido acidentes vasculares cerebrais e tinha uma miopatia congênita, que paralisava seus músculos. De acordo Suami Freitas, diretora de Direitos Humanos da Seciju, frei Henri trabalhou mais de 40 anos no combate ao trabalho escravo e deixou como legado a perseverança, pois jamais, mesmo após ameaças de morte, desistiu de seus ideais.

Como secretário da Cidadania e Justiça e presidente da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo do Tocantins (Coetrae), o coronel Glauber de Oliveira Santos, diz que toda a equipe da Seciju está em luto e que frei Henri sempre será lembrado, neste mundo de desigualdades, como um homem que provou que nunca se deve desistir de lutar por um mundo melhor, sem injustiças.