Saúde

Foto: Divulgação Dr. Juliano Borges Mano, médico especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Geral de Palmas Dr. Juliano Borges Mano, médico especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Geral de Palmas

Assim como ocorrem com o Outubro Rosa e o Novembro Azul, que lembram mundialmente a importância da prevenção contra o câncer de mama e o câncer de próstata, o Julho Verde chama a atenção para o câncer de cabeça e pescoço.

O movimento internacional teve início em 2014, com a finalidade de conscientizar e promover educação na prevenção, diagnóstico e combate à doença, sendo 27 de julho o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, anualmente são mais de 550 mil casos novos no mundo. O Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), registra cerca de 23 mil novos casos todos os anos, e a maior incidência está relacionada ao uso excessivo de tabaco e bebidas alcoólicas. E na maioria dos casos, está associada à condição socioeconômica do paciente.

Atenção aos Sinais

No Brasil os tumores de cabeça e pescoço mais frequentes são da cavidade oral e da laringe. Por isso a orientação é de tornar habitual a observação de gengivas, mucosa jugal (bochechas) palato duro (céu da boca) e língua (principalmente as bordas), assoalho (região embaixo da língua). Rouquidão, dificuldade para engolir e sensação de um corpo estranho na altura do pescoço podem ser sinais de câncer de laringe.

Dr. Juliano Borges Mano, médico especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Geral de Palmas (HGP) alerta que alcoolismo, tabagismo e falta de informação e de acesso ao serviço de saúde contribuem para o elevado percentual de diagnósticos tardios, e pode deixar sequelas nos pacientes.

O câncer de cabeça e pescoço desenvolve em áreas como boca, laringe, faringe e esôfago e as estimativas em 2018, devem atingir cerca de 41 mil pessoas. Apesar de a campanha ser ainda pouco conhecida pela maioria da população, o Julho Verde traz um alerta importante: na maioria dos casos, esse tipo de câncer poderia ser evitado, uma vez que os principais fatores de risco da doença são o tabagismo, o consumo de álcool e a infecção causada pelo papilomavírus humano – conhecido como HPV, doença sexualmente transmissível.

A infecção pelo papilomavírus (HPV) tem contribuído, nos últimos anos, com o aumento na incidência dos tumores de cabeça e pescoço, especificamente na região de orofaringe, área que compreende a base da língua, céu da boca, amídalas e a faringe. Também vem crescendo a incidência dessa doença entre pessoas mais jovens, com até 40 anos de idade. A infecção pelo HPV possui alta associação com esse cenário precoce, em conjunto com o tabagismo e o etilismo.

De acordo com o Dr. Juliano, tem aumentado o número de casos em pacientes mais jovens que nunca fumaram ou beberam. São situações em que a doença está relacionada à infecção pelo vírus HPV. “Uma das formas de contágio por essa infecção é por meio da prática do sexo oral e em pessoas com múltiplos parceiros sexuais. A principal recomendação para evitar a doença é o uso da camisinha.” alerta DR. Juliano. O vírus HPV atinge de forma massiva a população feminina. Cerca de 75% das brasileiras sexualmente ativas terão contato com o HPV ao longo da vida, sendo que o ápice da transmissão do vírus ocorre na faixa dos 25 anos. No entanto, o câncer de cabeça e pescoço afeta de duas a três vezes mais homens do que mulheres, mesmo quando relacionado ao HPV.

Primeiros Sinais

Os primeiros sinais do tumor orofaríngeo podem surgir por meio de feridas que não cicatrizam na boca nos primeiros 15 dias, além do aparecimento de nódulos no pescoço. O paciente pode se queixar também de dor para mastigar ou engolir. Esses fatores, ligados ao aparecimento de pequenas verrugas na garganta ou na boca, podem indicar um possível diagnóstico com associação ao HPV.

Outros sintomas podem estar relacionados à rouquidão persistente, manchas/placas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, céu da boca e bochecha, bem como lesões na cavidade oral ou nos lábios e dificuldade na fala. “Ao primeiro sinal desses sintomas, é importante procurar o atendimento médico e não esperar o tumor crescer”, ressaltou o médico.

É unanimidade entre especialistas que conhecer os fatores de risco do câncer de cabeça e pescoço ajuda na prevenção mais eficaz. A associação frequente entre consumo de álcool e cigarro pode aumentar em até 20 vezes o risco de desenvolver a doença. Tabaco, ingestão de bebida alcoólica e infecção por HPV são as principais ameaças, mas não são as únicas. Há, também, a predisposição genética e tratamento prévio com radioterapia.

Apesar da agressividade desse tipo de tumor, a cura é um quadro real, desde que o diagnóstico seja precoce, com a doença pequena e localizada. O tratamento pode ser por meio de cirurgia, quimioterapia e radioterapia, dependendo da localização e do tamanho do tumor.

“Quando diagnosticadas na fase inicial, as lesões são tratadas de forma mais acessível. Por outro lado, o tratamento cirúrgico em fase mais avançada pode ser mutilador, devido à localização dos tumores. A escolha do tratamento deve ser feita por uma equipe de médicos especialistas, para definir a melhor opção e minimizar sequelas”, recomendou o cirurgião Juliano Borges.

A ação do Julho Verde faz alusão ao Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, celebrado no dia 27 de julho.

 

Perfil do Cirurgião

Juliano Borges Mano CRM/TO 2569 é Mestre em Ciências da Saúde pela USP; Especialista em Otorrinolaringologia - RQE: 1269; Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço - RQE: 1268; Especialista em Cirurgia Crânio-Maxilo-Facial – RQE: 1497; Ex- Fellow em Rinologia e Sinusologia pela University of Pennsylvania – USA; Ex – Fellow em Rinologia e Sinusologia pela Medical College of Georgia – USA; Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço – SBCCP; Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Crânio – Maxilo- Facial – SBCCMF; Membro Titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia – Cervico- Facial- ABORL; International Member of Otorhinolaryngology and Head and Neck Surgery; Preceptor de Residência Medica em Otorrinolaringologia / Cirurgia de Cabeça e Pescoço / Cirurgia Crânio-Maxilo- Facial.